sábado, 12 de março de 2011

poleiro

líria porto

eu acho que a corujice
não é defeito tão grave
se a coruja é uma ave
vovó pode ser coruja
ela tem um par de asas

*

recém-nascido

líria porto

pequeno indefeso e tão preso à vida
agarra-a com dedos fininhos
e ela não lhe escapa
:
está destinada ao menino

*

no bloquinho da coruja

líria porto

natos netos bonitos
anoto-os e anuncio-os
:
maria luiza e francisco

*

sexta-feira, 11 de março de 2011

dunas

líria porto

com o menino no regaço
estou nas mãos do menino
do seu perfume suave
dos olhares movediços

*

quinta-feira, 10 de março de 2011

esgrima

líria porto

não sou aquela que procuras
não sou santa nem sou serva
sou esta mulher incauta impura
e tenho um vulcão no vão
das pernas

(declaro amor amor
                         mas faço guerra
:
touché)

*

quarta-feira, 9 de março de 2011

um prinspe

líria porto

igual um gatinho
no quente aconchego

chegou veio calmo
sem choro sem cisma

um cisco de gente
de nome francisco
:
e tem o meu gene

*

sábado, 5 de março de 2011

inês é morta

líria porto

para fugir de si mesma
fingir que está tudo bem
pendurou a (in)consciência no cabide
e vestiu
             pele de marta

*

sexta-feira, 4 de março de 2011

estalo

líria porto

relampeja
um trovão ronca ribomba
outro raio chicoteia-me
rasga-me o céu
aterra-me

*

cai não cai

líria porto

águas de verão
penduradas no varal
:
chuvas tardias

*

sacrifício

líria porto

em crise com a própria escrita
cobre-se com mantras e neblina
:
silencia-se

*

quarta-feira, 2 de março de 2011

almôndega

líria porto



carne triturada com pele
e osso

*

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

volúpia

líria porto

para a língua dos homens
grandes e pequenos lábios

para a boca das mulheres
pirulitos e picolés

*

curvas

líria porto

perdeu-se – anda em círculos
não acha o caminho de volta
e nem quer

acostumou-se à vertigem
e voltar para casa é viver
sob regras

*

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

sonata à toa para um ateu

líria porto

estive por aí pelas veredas
busquei respostas como quem tem fome
não sabia eu quem inventara o homem
quem legara à flor pétalas de seda

ficava a pensar no início do mundo
quem pintara tantas tantas estrelas
vivia tão longe que ao percebê-las
minh'alma era seca o corpo infecundo

diz-me –– bem-te-vi –– teu canto sonoro
ele me fascina então eu te imploro
conta passarinho quem te deu a voz

ele cantarola olha para o céu
reza com fervor (eu tiro o chapéu)
e roga ao criador por todos nós

*

afazeres

líria porto

limpou o céu de manhã não passou pano direito
deixou leite derramar o azul ficou manchado
de nuvens pequeninas

*

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

galã

líria porto

alain delon


 elã - de longe

*

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

penitência

líria porto

ora prosa
ora versa
de joelhos
sobre
    o milho

*

escapatória

líria porto

enquanto a morte cochila
acordar é a glória

*

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

folga

líria porto

os rios caminham deitados
e chegam ao destino sem deixar
o leito

*

(publicado no livro olho nu - ed. patuá) extrato

líria porto

mudo tanto tanto mudo
procuro e não acho a minha fórmula
tão mudada quão definitiva

*

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

farra

líria porto

pintura do poeta e artista marcos bastos
um canta outro canta
outro e outro
e os cães
e os pássaros
ajudam os galos
a fazer
          escândalo

*

domingo, 20 de fevereiro de 2011

recado

líria porto

se te tocar o vento durante a caminhada
e sentires um sopro um hálito
é meu verso louco
                              meu beijo diário

um toque
um código
um segredo

*

sábado, 19 de fevereiro de 2011

castelos de areia

líria porto

palavras fugidias
escorrem-se-nos entre os dedos
assoreiam e obstruem a poesia

*

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

a bola da vespa

líria porto

adoro roupas de linho
passei anos sem usá-las
:
a ditadura da moda
massacra nossa vontade

*

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

canavial

líria porto


queima corpos almas
e transforma em bagaço
os boias-frias

*

correio

líria porto

fulano de tal vieira
amor meu – coisas antigas
nem muito tem paciência
dá presença também não
eu fico nas entrelinhas
alegrinha da víbora

(quase é pior que nada)

*

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

um poeta à míngua

líria porto

ao abocanhar a poesia
qual um cão atrás de bolhas de sabão
estala-se o cristal

*

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

pausa

líria porto


cantos de silêncio
me acalentam

*

sábado, 12 de fevereiro de 2011

re_visão

líria porto

o sol
espera
a passagem
d'aurora

(a lua
perdura
bonita
que dói)

*

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

será?

líria porto

    um passo à frente
a alma atrás
    o corpo avança
depois retrai-se
    e nesta dança
neste compasso
    faz-se de conta
que a vida é fácil

*

projeção

líria porto

o menino vê a vida pelo umbigo da mamãe
a mamãe vê o menino em todo canto assobio
em todo riso ou lágrima

*

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

tamanho extra co'a leveza das plumas

líria porto

as paineiras
conhecidas nossas barrigudas
corpos cobertos por flores e espinhos
desfilam em praças e avenidas
cheirosas e roliças como nós
as antimanequins

*

bendito o fruto

líria porto

família de mulheres
(quatro filhas e uma neta)
:
a chegada de francisco
causará
           rebuliço

*

domingo, 6 de fevereiro de 2011

dó maior

líria porto

rio choro choro rio
lavaram dos meus olhos
toda a alegria

*

stromboli

líria porto

estrondo
um rombo vindo do fundo
assombro dentro de mim
pressinto bomba defunto
sombras do outro mundo
sons saídos da raiz

*

sábado, 5 de fevereiro de 2011

adotiva

líria porto

vou te catar catarina
pôr um laço em teu pescoço
dar-te um osso suculento
uma cama maciinha
não vão te reconhecer
e se falarem de raça
estirpe ou pedigree
dize mesmo sem vergonha
sou vira-latas com honra
sou cachorra de família

*

parto

líria porto

vou desestar – não deserto
esbarro uns dias por lá
arranco espinhos dum cacto
depois revolto ri_acho-me
com francisquinho
nos braços
:
fui aparar o meu neto

*

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

lual

líria porto

hoje tem festa
não sei o que visto

põe roupa de estrelas
de mar com peixinhos

ô mãe não chateies
não brinques comigo

ah filha esta vida
é parque é recreio

e tu és bonita
de todo jeito

*

como?

líria porto

sou assim assado
não sei como nem porquê
porém todavia contudo
por mais ou por menos
afundo razoável

*

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

existir

líria porto

nem fácil nem difícil
: possível

até que se pise na risca

*

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

melado

líria porto

queimou-me as calorias
fez-se doce a noite inteira
gravidou-me de suspiros
tal amor de confeiteiro

*

pro brejo

líria porto

deixarei o sapo em paz
pois perdi a esperança
de que com tamanha pança
e nenhum cavalo branco
meu amor se torne príncipe
e eu vire uma princesa

*

sem dó nem ré

líria porto

enviuvou-se pela quinta vez
matou os zangões rombudos
agora só quer um libélulo
de asas translúcidas

*

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

conjugais

líria porto

eu lavo cozinho
tu passas
:
amarrotada
necessito
férias

*

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

bilhete vermelho

líria porto

à ponta do lapso
maltraçadas linhas

*

(para o livro sem pecado não tem salvação) sirigaita

líria porto

mulheres e homens
água e óleo
e eu
a aboiar seus maridos
levava-os para meu pasto

*

domingo, 30 de janeiro de 2011

das flores murchas

líria porto

a menina
minha mãe
foi-se embora
e hoje
eu pareço
a vovó

*

sus_peitos

líria porto

na versão de adão
a cobra comeu

na versão de eva
o que lhe entrava entre as pernas
era peçonha de homem

na versão da cobra
veneno é bom
e eva gosta

na invenção
                 tudo é maçã

*

pretensão

líria porto

olhar de paisagem
a ignorar o próximo

*

sábado, 29 de janeiro de 2011

morbidez

líria porto

defunto enterro velório
missa de sétimo dia
eram fatos compulsórios
na rotina de abadia

um dia sumiu de tudo
:
terá caído no córrego
ido embora nalgum óvni
ou estará por um cio?

(entre boatos conversas
as quedas pelo coveiro
pelo agente funerário
por algum anjo
                  de mármore)

*

primeira classe

líria porto

a escrita –– trem bonito
cada palavra um vagão
um carrilhão de sentidos

*

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

piração

líria porto


aposto que é o oposto
o aposto a postura o pretexto
o pormenor

para me prostrar
para me preterir
para me depor

para me pôr
                  pê da víbora

*

dédalo

líria porto

o corre_dor não me leva
não te traz - e intramuros
pululam devassos
                        e dúbios

*

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

igualdade

líria porto



escrevo com a mão esquerda
(sou destra) - a letra entorta estreita-se
mas o sentido é o mesmo

os diferentes têm voz
é preciso que se atrevam
que se exibam como nós
os normais ou menos

*

chamariz

líria porto

charuto cachaça ou chope
um sheik de bico doce
e chuva fina

*

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

estopim

líria porto

meu coração – esta bomba – vai explodir dentro em pouco
e entornar toda a tinta de encarnado barroco
nas restingas do teu corpo

*

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

gerações

líria porto

o tempo passa depressa
de tão veloz nem o vemos
os netos tornam-se avós
num só estalar dos dedos

*

farelo

líria porto

quanto de nós há nessas quebradas
em quais curvas ficamos perdidos
naqueles dias longos emaranhados
em que pulverizados nos fizemos
cisco

o vento espalhou tantos pedaços
tentamos nos reerguer seguir a vida
jamais conseguiremos ser os mesmos
nem plenos nem potentes
nem maciços

*

fastio

líria porto

a paixão amorna
ninguém se queima
apenas torra
           a paciência

*

domingo, 23 de janeiro de 2011

à deriva

líria porto

livros espalhados
papéis roupas sapatos
a cama por arrumar

o corpo sem âncora
sem porto

*

sábado, 22 de janeiro de 2011

caminhada

líria porto

na infância o tempo trota
na maturidade marcha
na velhice ele galopa
:
de repente
            o tempo empaca

*

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

derrame

líria porto

chove
e tudo me (co)move

(es)corro chuva adentro
enfio corpo e alma em cada gota d'água
e não uso capote nem sombrinha

*

(publicado no livro garimpo - editora lê) - vulnerabilidades

líria porto

folhas caem
ao mais leve sopro
iguais as pessoas
muito preocupadas
com o olhar dos outros

*

caríssimo

líria porto

não procuro não quero
não preciso saber
:
o que fazes em minha ausência
só te diz respeito

*

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

clandestino

liria porto

riscou nome riscou verso
fez  o resto pelo avesso
passou por cima das regras
sequer registrou
meu filho

*

farsantes

líria porto

em jogo de cartas de/marcadas
o destino favorece quem sabe blefar
:
o bilhete é pré_miado

*

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

demudar

líria porto

pelo correio
beijos aplicados no papel
(batons variados)
um pacote de sementes de abobrinhas
quinze cruzeiros
(notas antigas e novas)
uma estampa da virgem
(mesmo que ele seja ateu)
um palpite de jogo
e nenhuma palavra
:
meu bem aprecia
silêncios

*

verão

líria porto

mormaço 
suor 
pressão
o ar para 
ruas e avenidas sopitam
caminham 
em câmara 
lenta

*

domingo, 16 de janeiro de 2011

aqui jaz

líria porto

cercou-se de si – protegeu-se o quanto pode
mas porém caiu de boca na lábia
do meu batom

*

do que nos conduz ao desespero

líria porto

procuro-a
não a encontro
vasculho por todo canto
uso lentes de aumento
imãs
iscas
escafandro
olho debaixo das coisas
dentro de todas as bolsas
e não está no armário
nas gavetas nas estantes
:
onde se meteu
             minha cabeça?

*

paciência

líria porto

cada dia
é mais um dia
e nada é
:
para sempre
mesmo que continue

*

cerro os olhos - serras

líria porto

rasgos na montanha
e o sangue ocre
grosso pardacento
repleto de corpos
de desespero

*

sábado, 15 de janeiro de 2011

desinteresse

líria porto

tal como o mar se atira sobre os rochedos
eu me jogava em teus braços

iguais a ti
as pedras permanecem impassíveis

*

prematuro

líria porto

uma rajada de vento
catou um anjo na terra
levou-o consigo
a_deus

o galo cantou três vezes
calaram-se lua e estrelas
eu me vesti de tristeza
chorei

dorme meu bem

*

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

atordoamento

líria porto

a nuvem cai
vem duma vez
a água turva
inunda o mundo
e eu não tenho
notícias tuas

deus te proteja

*

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

pé ante pérola

líria porto

procuro um poema
quem o vir me acene
que irei buscá-lo

*

de mover moinhos

líria porto

não sei se vício pirraça
a vida vinca-me a face
enquanto rio

*

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

massa (quem tem pena de passarinho - ed. periópolis)

líria porto

cordeiros caminham por pastos campinas
e vão tão juntinhos como um corpo imenso
a pensar (não pensar) sempre o mesmo
                                  sobre o mesmo capim

*

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

calidoscópio

líria porto

um pequeno movimento
e tudo muda

(contudo a moda
é uma merda)

*

em cima da risca

líria porto

os pés em dois trópicos  ali
entre a loucura e a lucidez

*

bodoque

líria porto

vovó é doida de pedra
tem cristal rocha ametista
cascalho paralelepípedo
na beirada da janela

(não bulam com a velha)

*

domingo, 9 de janeiro de 2011

naquele tempo

líria porto


tudo era poesia
até os dentinhos de leite
e as sardas no nariz

(mas eu não sabia)

*

armadilha

líria porto

andava eu sossegado
alguém me soprou à nuca
prossegue vai nessa estrada
acreditei na arapuca

não quero mais ser poeta
rimar assim quem aguenta
procurar palavra (in)certa
como remar na tormenta

ora era muito ora pouco
deveras fui insensato
levei uns pitos uns socos
tomei juízo e os acato

o que está feito está feito
o tempo não retroage
a vida passa num flash
melhor agir doutro jeito

(ao menos até amanhã)

*

sem demasias ou delongas (quem tem pena de passarinho - ed. periópolis)

líria porto

a catar qual passarinho
um canto pra minha rede
um amor pra minha sede
um pouso
:
não preciso latifúndio

*

(publicado em cadela prateada - ed. penalux) - revezamento

líria porto

o sol a lua
dormem no mesmo lençol
em turnos alternados

*

sábado, 8 de janeiro de 2011

tábuas de salvação

líria porto

precisados de consolo
ele se fingiu marido
ela fez de conta
               a mariposa

saídos da recaída
retomaram a rotina

*

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

águas do céu

líria porto

malu e francisco debaixo da chuva
um batismo sem reza

*

primo canto

líria porto

não me levanto de pronto
a cama além de boa
é ninho para algum verso
é choco para algum sonho
:
cocoricocóooooo

*

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

ultra_pássaros

líria porto

mangas de mim eu me rio
tapeio-te com mentirinhas

algumas meias verdades
são inseridas na vida

não fora assim meu querido
como resistiríamos?

*

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

extrema-unção

líria porto

se foi para paris
se não me quis
vai ser atroz
não vou atrás

garçom
traz-me um copo de aguarrás
ou um scoth

rimar é ilusão

*

do que os olhos não veem

líria porto

repara na blusa na saia
na bolsa nos sapatos novos
embora maria saiba
joão saliva é pela polpa
quer saber nada de casca

*

rompimento

líria porto

um passo mal dado
um mal entendido
maldade de outros
ou isso ou aquilo
:
belém belém
        nunca mais
fico de bem

*

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

esca(l)po

líria porto

metidos com papel tinta e palavras
poetas arribam
                          desabam

*

rosadas

líria porto

conquanto a sangria se estanque
as auroras tingem nuvens

*

espera

líria porto

depois da noite
à_manhã

e o porvir
         não veio

*

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

para não despertar a princesa

líria porto


livrou-se das reticências
não usa ponto nem vírgula
pudesse engolia as letras
e deixava o papel
                           virgem

*

domingo, 2 de janeiro de 2011

netos

líria porto

esses feiticeiros
os seus olhos dágua
o seu riso largo
resistir quem há de?

*

in$i$tente$

líria porto

e$tão devera$ preocupado$
com o no$$o bem e$tar
oferecem-no$ o paraí$o
:
o$ banco$
o$ $erviço$ de telefonia
o$ plano$ de $aúde

(todo$ mui amigo$)

*

sábado, 1 de janeiro de 2011

poema

líria porto

lago de águas rasas
que ao refletir o poeta
muita vez esconde
o ambíguo

*

pé direito

líria porto

maluzinha - ida para aeroporto depois do natal aqui em casa

tenho muitos afazeres
poemas dependurados
cartas a serem escritas
livros que ainda não li
que preciso publicar
e viagens necessárias
reencontros recomeços
canções de ninar francisco
brincadeiras com malu
:
preciso mais uma década
(pelo menos)

*

dedicatória

nus descampados (im)puros
fiamos o plenilúnio

(líria porto)



*















quem tem pena de passarinho
é passarinho

(líria porto)

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