líria porto
minhas mãos repletas
letras pequeninas
plenas de nanquim
rolam feito seixos
pelas linhas tortas
desses descaminhos
letras transversas
nascidas pelo avesso
nem métrica nem peia
asas passarinhos
crianças travessas
sem ponto sem vírgula
os pedaços soltos
sentimentos êxtases
emoções protestos
voam buliçosos
e não prestam conta
da própria existência
sonhos sem rédeas
fins sem começo
pétalas largadas
bambas minhas letras
desconhecem amarras
não sei a que vêm
peço não se apressem
já me vou esperem
elas - folhas secas
vão-se com o vento
percebem pressentem
nosso tempo breve
(eu envelheço)
*
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