líria porto
tempo de chuva
abro as janelas
e o cheiro da terra
como um incenso
exala do chão
invade-me
as narinas
líria porto
líria porto
líria porto
líria porto
líria porto
líria porto
líria porto
líria porto
líria porto
meu amor é pombajira
canta dança bamboleia
e sem peia rodopia
planta flor no meu umbigo
monta firme no meu dorso
beija lambe até mordisca
e eu subo nas paredes
trepo em cima dos telhados
solto uivos - cada grito
fico acesa igual faísca
labareda em mato seco
*
líria porto
líria porto
pandora libertou todos os males
(doenças guerras mentiras ódios)
ficou presa apenas a esperança
:
quando se abrirem as urnas
ela será libertada pela maioria
das mulheres
*
líria porto
líria porto
não ia de mala e cuia
deixava coisas pra trás
a porta entreaberta
foi/voltou vezes seguidas
com intervalo de meses
eu fingia que não via
um dia – quando partiu
preparei minha bagagem
e fui embora
co'a chave
*
líria porto
líria porto
líria porto
líria porto
líria porto
líria porto
por mim passava batido
que não reparo em detalhe
(não de propriedade vestuário
ou decoração de casa)
porém aquelas minúcias
que se referem a carácter
estas jamais me escapam
*
líria porto
líria porto
risinhos da minha aldeia
a ironia o deboche
maledicências traduzem
a sordidez dessa horda
:
a hipocrisia
* líria porto
líria porto
líria porto
líria porto
líria porto
líria porto
líria porto
líria porto
líria porto
líria porto
líria porto