quinta-feira, 3 de setembro de 2026

subterrâneas

líria porto


nem tu nem eles

eu - nem ninguém

sabemos a hora

que a morte vem


já esvazio

caixas gavetas

destruo as cartas

rasgo os bilhetes


não há quem me ofenda

não guardo mágoas

que a morte chegue

sem muito alarde


prefiro que seja

enquanto durmo

venha de luvas

e de pantufas


meu corpo gasto

descanse em paz

entre as raízes

e as minhocas


sábado ou domingo


*






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dedicatória

nus descampados (im)puros
fiamos o plenilúnio

(líria porto)



*















quem tem pena de passarinho
é passarinho

(líria porto)

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