sábado, 22 de janeiro de 2011

caminhada

líria porto

na infância o tempo trota
na maturidade marcha
na velhice ele galopa
:
de repente
            o tempo empaca

*

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

derrame

líria porto

chove
e tudo me (co)move

(es)corro chuva adentro
enfio corpo e alma em cada gota d'água
e não uso capote nem sombrinha

*

(publicado no livro garimpo - editora lê) - vulnerabilidades

líria porto

folhas caem
ao mais leve sopro
iguais as pessoas
muito preocupadas
com o olhar dos outros

*

caríssimo

líria porto

não procuro não quero
não preciso saber
:
o que fazes em minha ausência
só te diz respeito

*

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

clandestino

liria porto

riscou nome riscou verso
fez  o resto pelo avesso
passou por cima das regras
sequer registrou
meu filho

*

farsantes

líria porto

em jogo de cartas de/marcadas
o destino favorece quem sabe blefar
:
o bilhete é pré_miado

*

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

demudar

líria porto

pelo correio
beijos aplicados no papel
(batons variados)
um pacote de sementes de abobrinhas
quinze cruzeiros
(notas antigas e novas)
uma estampa da virgem
(mesmo que ele seja ateu)
um palpite de jogo
e nenhuma palavra
:
meu bem aprecia
silêncios

*

verão

líria porto

mormaço 
suor 
pressão
o ar para 
ruas e avenidas sopitam
caminham 
em câmara 
lenta

*

domingo, 16 de janeiro de 2011

aqui jaz

líria porto

cercou-se de si – protegeu-se o quanto pode
mas porém caiu de boca na lábia
do meu batom

*

do que nos conduz ao desespero

líria porto

procuro-a
não a encontro
vasculho por todo canto
uso lentes de aumento
imãs
iscas
escafandro
olho debaixo das coisas
dentro de todas as bolsas
e não está no armário
nas gavetas nas estantes
:
onde se meteu
             minha cabeça?

*

paciência

líria porto

cada dia
é mais um dia
e nada é
:
para sempre
mesmo que continue

*

cerro os olhos - serras

líria porto

rasgos na montanha
e o sangue ocre
grosso pardacento
repleto de corpos
de desespero

*

sábado, 15 de janeiro de 2011

desinteresse

líria porto

tal como o mar se atira sobre os rochedos
eu me jogava em teus braços

iguais a ti
as pedras permanecem impassíveis

*

prematuro

líria porto

uma rajada de vento
catou um anjo na terra
levou-o consigo
a_deus

o galo cantou três vezes
calaram-se lua e estrelas
eu me vesti de tristeza
chorei

dorme meu bem

*

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

atordoamento

líria porto

a nuvem cai
vem duma vez
a água turva
inunda o mundo
e eu não tenho
notícias tuas

deus te proteja

*

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

pé ante pérola

líria porto

procuro um poema
quem o vir me acene
que irei buscá-lo

*

de mover moinhos

líria porto

não sei se vício pirraça
a vida vinca-me a face
enquanto rio

*

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

massa (quem tem pena de passarinho - ed. periópolis)

líria porto

cordeiros caminham por pastos campinas
e vão tão juntinhos como um corpo imenso
a pensar (não pensar) sempre o mesmo
                                  sobre o mesmo capim

*

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

calidoscópio

líria porto

um pequeno movimento
e tudo muda

(contudo a moda
é uma merda)

*

em cima da risca

líria porto

os pés em dois trópicos  ali
entre a loucura e a lucidez

*

bodoque

líria porto

vovó é doida de pedra
tem cristal rocha ametista
cascalho paralelepípedo
na beirada da janela

(não bulam com a velha)

*

domingo, 9 de janeiro de 2011

naquele tempo

líria porto


tudo era poesia
até os dentinhos de leite
e as sardas no nariz

(mas eu não sabia)

*

armadilha

líria porto

andava eu sossegado
alguém me soprou à nuca
prossegue vai nessa estrada
acreditei na arapuca

não quero mais ser poeta
rimar assim quem aguenta
procurar palavra (in)certa
como remar na tormenta

ora era muito ora pouco
deveras fui insensato
levei uns pitos uns socos
tomei juízo e os acato

o que está feito está feito
o tempo não retroage
a vida passa num flash
melhor agir doutro jeito

(ao menos até amanhã)

*

sem demasias ou delongas (quem tem pena de passarinho - ed. periópolis)

líria porto

a catar qual passarinho
um canto pra minha rede
um amor pra minha sede
um pouso
:
não preciso latifúndio

*

(publicado em cadela prateada - ed. penalux) - revezamento

líria porto

o sol a lua
dormem no mesmo lençol
em turnos alternados

*

sábado, 8 de janeiro de 2011

tábuas de salvação

líria porto

precisados de consolo
ele se fingiu marido
ela fez de conta
               a mariposa

saídos da recaída
retomaram a rotina

*

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

águas do céu

líria porto

malu e francisco debaixo da chuva
um batismo sem reza

*

primo canto

líria porto

não me levanto de pronto
a cama além de boa
é ninho para algum verso
é choco para algum sonho
:
cocoricocóooooo

*

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

ultra_pássaros

líria porto

mangas de mim eu me rio
tapeio-te com mentirinhas

algumas meias verdades
são inseridas na vida

não fora assim meu querido
como resistiríamos?

*

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

extrema-unção

líria porto

se foi para paris
se não me quis
vai ser atroz
não vou atrás

garçom
traz-me um copo de aguarrás
ou um scoth

rimar é ilusão

*

do que os olhos não veem

líria porto

repara na blusa na saia
na bolsa nos sapatos novos
embora maria saiba
joão saliva é pela polpa
quer saber nada de casca

*

rompimento

líria porto

um passo mal dado
um mal entendido
maldade de outros
ou isso ou aquilo
:
belém belém
        nunca mais
fico de bem

*

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

esca(l)po

líria porto

metidos com papel tinta e palavras
poetas arribam
                          desabam

*

rosadas

líria porto

conquanto a sangria se estanque
as auroras tingem nuvens

*

espera

líria porto

depois da noite
à_manhã

e o porvir
         não veio

*

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

para não despertar a princesa

líria porto


livrou-se das reticências
não usa ponto nem vírgula
pudesse engolia as letras
e deixava o papel
                           virgem

*

domingo, 2 de janeiro de 2011

netos

líria porto

esses feiticeiros
os seus olhos dágua
o seu riso largo
resistir quem há de?

*

in$i$tente$

líria porto

e$tão devera$ preocupado$
com o no$$o bem e$tar
oferecem-no$ o paraí$o
:
o$ banco$
o$ $erviço$ de telefonia
o$ plano$ de $aúde

(todo$ mui amigo$)

*

sábado, 1 de janeiro de 2011

poema

líria porto

lago de águas rasas
que ao refletir o poeta
muita vez esconde
o ambíguo

*

pé direito

líria porto

maluzinha - ida para aeroporto depois do natal aqui em casa

tenho muitos afazeres
poemas dependurados
cartas a serem escritas
livros que ainda não li
que preciso publicar
e viagens necessárias
reencontros recomeços
canções de ninar francisco
brincadeiras com malu
:
preciso mais uma década
(pelo menos)

*

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

tim tim

líria porto

saúdo o vind_ouro
                     e o ano que finda
:
um brinde à beleza ao amor
ao riso à amizade
                             à poesia         
e ao tantim de sacanagem
que de ferro
nem as montanhas de minas
(cavadas por trás)
                            
*

oferenda (quem tem pena de passarinho - ed. periópolis)

líria porto

vou jogar flores no mar
levar comida perfume
espelho pentes enfeites
agradecer janaína
pelo balanço das ondas
pelo azul pela espuma
pelo ano de fartura
pela coragem saúde
e também pedir perdão
por ser assim imperfeita
e até pela tristeza
que às vezes
finjo

*



à perfeição

líria porto

fosse a lua um abajur
eu me vestisse de nuvem
usasse estrelas no cabelo
dormisse em lençol azul
escrevesse igual clarice
cheirasse como cecília
tivesse o miolo de adélia
a raiz de coralina
amar-me-ias

*

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

pinguços

líria porto

entretanto
entre tantos tontos
tinha um tal
que trocava tequila
por cachaça

*

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

heterônimos

líria porto

a poesia em pessoa
            tem muitas faces

*

re_visão

líria porto

olhos que me olham desde sempre
olhos do passado olhos de hoje
mesclados de olhares impotentes
reconheço nestes olhos os meus olhos
a olharem-me por dentro e por fora
a observarem-me ora amorosos
ora cruéis

*

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

ao apagar das luzes

líria porto

bebo água do regato
(é quase um resgate)
e de fato ganho força
pra seguir em marcha
:
ninguém sabe
       a hora da morte

*

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

utopia

líria porto

meus melhores pensamentos
e bandeiras são vermelhos

*

passagem

líria porto

procura-se quem queira
ir à beira da loucura na noite
de sexta-feira

*

domingo, 26 de dezembro de 2010

dobras

líria porto

para ser usado no futuro
o presente foi passado a ferro
e pendurado num prego

*

sábado, 25 de dezembro de 2010

desassossego

líria porto

a desconfiança a dúvida
não se saber do amanhã
a vida sem corrimão
o medo a causar angústias
dores de cabeça úlceras
não resolvem nada adiantam
só quando o agora surge
aparecem as soluções

(escapam de quaisquer planos
as certezas no futuro – cada coisa cada uma
tem a dimensão que damos)

*

presente

líria porto

de nós
        castanhas

de min_as
        meninas
        de olhos
        castanhos

*

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

cartinha de malandro

líria porto

o que queres ninguém dá e nem se sente obrigado
pois champanhe e caviar arrebentam o orçamento
de quem vive de salário

vai trabalhar vagabundo

*

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

febre

líria porto

havia um vazio
tão frio por dentro
eu não chorava
nem ria

um dia veio um sujeito
encheu o vazio de um jeito
o frio que eu tinha no peito
entrou em ebulição

(paixão ferv_ilha)

*

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

alimento

líria porto

como a lua
engordo emagreço
mínguo cresço
:
eu sinto fome
de sól_ido

*

soluços

líria porto

um de nós tinha morrido
e eu sussurrava para consolá-lo
:
não sofras meu bem - é assim
mais dia menos dia
                               tudo finda

*

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

douto mundo

líria porto

meteu-se a terra
entre a lua e o sol

eclipse?

não não
ménage à trois

*

(para o livro sem pecado não tem salvação) mea culpa

líria porto

não vou para o céu
pequei por prazer por vontade
fá-lo-ia mil vezes sem me arrepender
sem me curvar às igrejas
e aos puritanos

*

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

(peguei o sol no pulo) êxtase

líria porto

a casca fez crec
a alma saiu pela fresta
voou para onde os poetas
os artistas
livres do peso do corpo
tocaram o infinito

*

madrugada

líria porto

entre a noite e a manhã
antes da hora do galo
do cantar da passarada
um azul muito encorpado
(vou chamá-lo azul-cobalto)
e o brilho das estrelas
encobriram-me a carcaça
qual o manto de brocado
da rainha

*

domingo, 19 de dezembro de 2010

notícias

líria porto

a vida balança
nem cai nem haicai

a esperança?
bonsai

*

con_traste

líria porto

lá fora
a aurora
bonita
que dói

cá dentro
as paredes
mofadas
e verdes

*

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

pavio

líria porto

o sal na saliva a conversa ácida
a fala ferina o frio sem face
cuidado menina o tempo é severo
a mesma chama que ilumina
derrete a cera da vel(h)a

*

teimosia

líria porto

a poesia some
não me desespero
ela volta um dia
e traz tanto verso
que a mando embora
para ter sossego
:
ela só faz
o que quer

*


*

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

rodeio

líria porto

o mal do girassol
embora (h)aja ríspido
não é torcicolor
im_postura

é câncer de pétala

*

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

nada se perde

líria porto

não demora serei leve
breve breve  pó de ossos
farinha para peixes

*

servo

líria porto

lavo
passo
limpo
cirzo
coso
cozinho
esfrego
lixo
:
assim
   suji_gado

*

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

pre_meditado

líria  porto

na verdade eu tinha mentiras para lhe dizer
mas frente à sua ira resolvi calar-me
e o que (h)ouve
                         permanece

*

vice-versa

líria porto

tem botas chuteiras sapatos bigodes
mas dribla de sapatilhas

*

para 黒澤 明

líria porto

patinhos amarelos
com laços de fita vermelhos
voavam no meio do sono

(travesseiros de penugem)

*

sentada

líria porto

à madrugada espera-os
o dia comparece mas os versos
(r)areiam

*

domingo, 12 de dezembro de 2010

caráter

líria porto

todas as coisas
grandes pequenas boas ruins
fizeram-vos sólidos

sóis

*

sábado, 11 de dezembro de 2010

telegrama

líria porto

a grama mucama
tem trama de aranha
e fama de sem-vergonha

*

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

(peguei o sol no pulo)

líria porto

a vida valsa
a morte tanga

*

comilança

líria porto

mal / bem desnecessário
saco de papai noel

*

soberania

líria porto

voei conheci o céu
mergulhei em todo abismo
tirei o mel das colmeias
morei em palácio
hospício

fui pra guerra viajei
noutras terras renasci
quebrei pedras singrei mares
vi tubarões
vi delfins

liberdade liberdade
é dormir entre os teus braços
enroscar-me - nu teu corpo
erva-de-passarinho

*

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

chamego

líria porto

gato velho qual tapete
a alisar-me os pés
a ronronar para as minhas

cadeiras

crítico

líria porto

de dentro de cada verso
não sei dizer dos enguiços

então me ponho distante
a lê-lo com olhar cítrico

destroço tanto cavaco
tanta sombra adjetivo

pode perder em tamanho
mas ganha maior sentido

(pelo menos para mim)

*

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

(peguei o sol no pulo) para relembrar ava gardner

líria porto

nos teus olhos de petisco
um chuvisco me matava

eu por isso me arrisco
e rebusco a tua lava

há nesta área de risco
o fogo que me faltava

alguma espécie de isca
alguma espécie de trava

*

nós - filhos da meada

líria porto

olhos nos olhos tão intensos
sempre penso – mais que amantes
somos cúmplices

*

brejo-me

líria porto

choro orvalho chuvisco
marejo empoço infiltro
enxurro-me alago-te
rio-me

para crocodi-lo
pântano

*

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

tédio

líria porto

em sua casa
tudo era móvel –– menos isaura
olhos fixos no caos

*

para os poetas da rede

líria porto

a cama rilha
bruxismos de gastar os dentes
até as gengivas

*

desafeto

líria porto

não mato com bala
nem com veneno
:
risco do pensamento
tiro
                       
*

tonel

líria porto

não quero prosa
eu bebo verso
e me embriago
de poesia

um gole outro
mais uma taça
dá-me outro trago
uma garrafa

na saideira
não faço fita
sem brincadeira
dose infinita

*

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

(publicado no livro garimpo - editora lê) - conquista

líria porto

da primeira vez
que eu vi o mar
só pensei em asas
em voar pra longe

da segunda vez
que eu vi o mar
pensei numa barca
entrar devagar

da terceira vez
que eu vi o mar
não pensei em nada
atirei-me n'água
e nadei nadei
quase igual um peixe
um rio
uma onda

da próxima vez
quando eu vir o mar
vou morrer no mar
atirar a âncora

*

(publicado no livro garimpo - editora lê) - facilidades

líria porto

para quem ama
toda lonjura é perto

curvas se dissolvem
mares se evaporam
caminhos são atalhos

o rio
é um pingo
              de colírio

*

domingo, 5 de dezembro de 2010

hospitalidade

líria porto

entra senta-te - queres um doce
pergunta o menino à visita
e por certo imita a mãe
:
as tradições

*

a_puro (quem tem pena de passarinho - ed. periópolis)

líria porto

a chuva
lavou a ladeira
tirou todo o barro
deixou tudo
um brinco

então meu amor
sobe a serra
de alma lavada
sorriso nos lábios
e pés limpos

*

sábado, 4 de dezembro de 2010

invernal

líria porto

o verso inverte o avesso
e o inverossímil

*

africanos

liria porto

negros retintos dentes de marfim
olhos e cílios tão lindos
mais parecem desenho
em nanquim

*

penas de ganso

líria porto

o homem dormia
um sono profundo
ali na calçada
e eu que comprara
dois travesseiros
pensava  oh mundo
só preciso de um
e tenho insônia

*

rabanadas

líria porto

papai-noel aperta o cinto
e eu sinto muito

*

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

vovós

líria porto

a um 
          a dois

a que faz bolos
(deliciosos)

a que manda livros
(ótimos)

a que mora perto
(em araxá)

a que mora longe
(em belo horizonte)
:
duas vovós
e uma linda neta
de olhos cinzentos

*

equiparação

líria porto

brutas
lapidadas
pedras

doutores
operários
gente

uns
outros
:
a mesma
essência

*

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

extrassístole

líria porto

segue o método
vai no ritmo
num caminho
de sossego
de repente
o requebro
:
perde a compostura

*

palhaço

líria porto



choro por dentro
por fora
rio

transbordo
alegria

*

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

sonetímido

líria porto

eu não sei fazer sonetos
eu juro que não consigo
os meus versos são gravetos
não é isso que persigo

procuro rimas eu tento
a que me chega é tão pobre
falta mesmo de talento
ao contrário de ouro - cobre

ilumine-me esta luz
eu não saia dessa trilha
do encanto do rouxinol

quero um verso que reluz
a perfeita redondilha
uma nesga do arrebol

*

palavras da minha avó

líria porto

não batas no teu menino
tal atitude é covarde
humilha-o mais que o ensina
deixa-lhe marcas na alma

ele em teu colo –– sê firme
usa palavras suaves
pronuncia os sins possíveis
os tantos nãos necessários

quem ama aponta orienta
alisa e alarga a estrada

*

celi_batráquio

líria porto

não se acerta lá
não se acerta aqui
não ganha beijo na nuca
nem come doce de cidra
:
fica às moscas

*

dedicatória

nus descampados (im)puros
fiamos o plenilúnio

(líria porto)



*















quem tem pena de passarinho
é passarinho

(líria porto)

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