quinta-feira, 19 de junho de 2008

nas franjas do horizonte

líria porto

a minha história de hoje
enlaçada de bonina
pingada de água de cheiro
é a história duma rosa
dum beija-flor todo prosa
e das tramas do destino

no corredor que é a vida
lá pelas bandas de lá
não sei se sorte ou azar
ou se já estava escrito
uma rosa perfumosa
entreabriu mui dengosa
lindas pétalas de seda

voava nos arredores
um beija-flor aprumado
de colarinho azul claro
querendo comprar bolinhos
e ao ver tão rubra rosa
assanhou-se chegou perto
gostou da cor e do jeito

bons dias bela menina
posso ficar por aqui?
:
tu que sabes beija-flor
não te posso fazer sala
tu já és comprometido
além do mais és metido
e estou muito ocupada

ele insistiu implorou
beija-flor é bom de bico
a rosa não resistiu
é doce rosa amorosa
os dois logo se entenderam
e teceram num instante
aquele romance ilícito

ao despencar o astro rei
na hora de ir-se embora
o beija-flor apressado
limpa o bico alisa as asas
pisca os olhos miudinhos
observa um lado e outro
depois bate em retirada

toda semana é assim
o beija-flor tem desejos
e finge comprar bolinhos
a rosa gosta dos beijos
desabrocha sem recato
e se repetem os fatos

(esta história não tem fim)

*

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dedicatória

nus descampados (im)puros
fiamos o plenilúnio

(líria porto)



*















quem tem pena de passarinho
é passarinho

(líria porto)

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