sábado, 22 de outubro de 2016

carruagem

líria porto

no mundo dos sonhos
(nossa outra vida paralela)
o resgate do tempo
as lembranças
as pessoas que se foram para sempre
nossos medos e desejos

nesta noite eu não tinha oito anos
caminhava de mãos dadas com vovô
o mais lindo libanês levou-me
à frança

(acordar é um choque épico
e eu era a rival da minha avó)

*

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

maria fumaça

líria porto

sou minha mãe minha filha
(quem me cuidava se foi
quem cuidei não me precisa)
vou eu por mim
(tenho me saído bem)
e em breve serei minha avó
(velha além da conta)
então irei à estação
com passagem
só de ida

*

correria

líria porto

os dias passam
como se usassem patins
voam e trepidam

*

(in)flexível

líria porto

mudo de ideia
mudo de posição
mas não fico mudo
nem cego nem surdo
perante a injustiça
:
não sou uma pedra

*

enxurros

líria porto

como o trovão e a nuvem
papai dava a bronca
eu chorava

(eu sou a cara da chuva)

*

terça-feira, 18 de outubro de 2016

(des)conhecimento

líria porto

cerramos as pálpebras
reviramos os olhos
miramos o inconsciente

(decifremos nossos códigos)

acordados
nossas pupilas perscrutam
a realidade?

(nós temos dois mundos
o de dentro o de fora)

*

affffffffffffff

líria porto

a fama da foda
a fêmea do fubica
a fístula da febre
a fofura da filha
o furo da fábula
:
a fofoca

*

poetice

líria porto

a vida num parágrafo
talvez numa estrofe
numa trova

não há rimas
para as flores 
do pântano

*

meio-dia

líria porto

fincado igual prego
em cima da sombra
no ponto de ônibus

*

domingo, 16 de outubro de 2016

haicai

líria porto

sábado de outubro
a lua feita a compasso
embrulhada em nuvens

*

programação

líria porto

se a morte aparecer
não tiver ninguém por perto
para cuidar dos detalhes
tomara dê-me algum tempo
para destrancar a porta
ajeitar os cabelos
e pintar os lábios

(se ela não tiver pressa
ainda visto a mortalha
deito co'as mãos
no peito)

*

uterino

líria porto

alimento colchão filtro
seja o que for é um tanto nojenta
a placenta

quando fiquei pronto e vi o mundo
berrei como um bezerro

*

sábado, 15 de outubro de 2016

obesidade

líria porto

perdeu a noção dos limites
invadiu as próprias bordas
produziu estrias

*

mazela

líria porto

naftalina
moça recatada
do lar
com o mordomo
do castelo

*

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

de brumas e brisas

líria porto

o marido abominava
as calçolas no arame

(cuecas podia)

madame radicalizou
agora é de vento
em popa

*

à queima roupa

líria porto

bastava um tiro
o resto era tara
de assassino

*

fictícios

líria porto

não o que fomos o que somos
mas o que gostariam que fôssemos
no que poderiam nos transformar
:
assim nos amam
como seres imaginários
como personagens dos seus sonhos

*

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

destilado

líria porto

toda vez que a gente dorme
bebe uma dose de morte

(se for um copo desmalha)

no dia do sono eterno
entorna o alambique 

*

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

circo

líria porto

a vida me diz –– tu não podes
passo debaixo da lona e assisto o final
do espetáculo

*

domingo, 9 de outubro de 2016

custosa

líria porto

um redemunho na testa
outro no cocuruto
a menina não tem peia
não mandam nela
os adultos

é fazedora de arte
queixa-se a mãe para a avó
e a caduca a aplaude
tem uma herdeira
isso é ótimo

*

cirandinha

líria porto

belas manhãs
claridade
a primavera é uma festa
além das flores
nas árvores

*

do avesso

líria porto

entre nós – furos
desculpas esfarrapadas
e por debaixo dos panos
a vida sem alinhavo

*

meia lua

líria porto

papoula cor de uísque
vou na proa dessa barca
sem leminski
:
só com alice

*

sábado, 8 de outubro de 2016

mandamentos extras

líria porto

não trazer para casa o que não podes comer
não adquirir o que não ousas usar
não dizer sim para todo prazer
não soltar a franga

*

abandono

líria porto

fez mais que o necessário por um resultado
e o que obteve foi proporcional ao contrário
de tudo que sonhava

(no caso houve sorte
livrou-se do encosto)

*

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

somenos

líria porto

a nossa pele do avesso
e ninguém vai saber qual é branca
qual é preta

*

lanterninhas

líria porto

o sol cai
estrelas brilham
clareiam a trilha
pra lua reinar

*

nosotros

líria porto

os ossos todos juntos
na mesma vala comum
ou então as nossas cinzas
numa única urna

(que nada e ninguém nos distinga
pelo que um dia fomos ou parecíamos
ser)

mendigos e príncipes

*

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

temperamental

líria porto

igual cacto –– polpa carnuda
flores cuidados simples
e unhas

*

violência

líria porto

o amor
custa caro

o ódio é gratuiro
distribuído às pancadas
ou panfletado nas ruas

*

gota d'água

líria porto

a fonte secou
a sede não cede
e o que pedem?
:
(h)umi(l)dade

*

pretextos

líria porto

os fatos
mesclados de pequenas ilusões
capazes de apaziguar as
                            consciências

*

passagem

líria porto

atrás da neblina o sol
o farol que ilumina o caminho
e indica a direção

*

excitação

líria porto

lava
do porão à proa
e mesmo que navegue
ou naufrague
o mar não apaga
esse fogo

*

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

príapo

líria porto

deus menino tem um pinto
o dia a brincar com ele
o pinto dorme
o piá acorda-o
acaricia-o e sente
aquele arre_
pio

deus menino tem um pinto
(mais importante que ele)
que um dia vai ser galo
:
rei do galinheiro

*

saudosismos

líria porto

tenho um cofre para guardar ninharias
quando não me resta coisa alguma
elas me aliviam

(um caco de xícara uma flor seca
um disco quebrado
a bandeira ultrajada do meu país
a roupinha do meu filho)

*

o pastor

líria porto

vendia lotes no céu
mas não garantiu o seu
no dia que ele morreu
o diabo amarrou-o
enfiou-lhe um tridente na bunda
chamou-o de concorrente
levou-o para as profundas

*

lábia

líria porto

nesse jogo de palavras – além da língua
vence quem tem saliva

*

o plano

líria porto

a navalha
um talho na jugular
o vermelho a tingir-lhe o peito
e ponto

(cortar os pulsos ficou fora
de moda)

*

domingo, 2 de outubro de 2016

carcomidos

líria porto

o prato que te ofereço
é marmita requentada
pois que perdi o traquejo
não faço mais pão de queijo
nem macarrão alho e óleo

secaram-se nossos molhos
na torneira não tem água
e o contexto é mais pobre
que os panfletos da igreja
e as notícias do governo

(que a morte venha –– mas antes
a revolução)

*

hipnose

líria porto

os tiranos têm um imã
um brilho agudo

(serpentes
olham fixo
e devoram
passarinhos)

*

sábado, 1 de outubro de 2016

nem vem

líria porto

(sou de paz
mas pombos não cagam
em meu ombro)

*

biológica

líria porto

às vezes fico flora de mim
às vezes fico fauna
e viro bicho

*

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

trivial

líria porto

separo os feijões pro lado
os murchos os carunchados
os outros vão pra panela
cozinham sob pressão
:
fritar o alho a cebola
umas tirinhas de bacon
juntar os grãos bem cozidos
deixar engrossar o caldo

com arroz carne e couve
(alguma farofa?)
garanto-te – é pra lá
de bom

*

o cão

líria porto

o sol morde
o vento sopra
a brisa lambe

*

involução

líria porto

descendo do macaco
primata bicho homúnculo
nesta selva de pedra

*

irmandade

líria porto

no mês de setembro
nascia-lhes o sexto filho
exatamente no dia
que a leda fez
oito anos

fiz sete em outubro
em dezembro a lizete fez seis 
a ana completou quatro em junho
o ciro dois em novembro

depois do césar mais três
(a wânia a tânia o cícero)
mas meu pai ficou frustrado
queria mesmo onze filhos
:
um time completo

*

fracasso

líria porto

fui poeta – não sou mais
passarinhos roubaram-me o verso
fico a chocar palavras
nenhuma trova nenhum poema
só garatujas mal-ajambradas

*

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

ponte para o abismo

líria porto

juntar num mesmo balaio
analfabetos políticos
traidores e canalhas
um punhado de juízes
senadores deputados
procuradores polícia
novos ricos e egoístas
banqueiros e empresários
velhos casados com misses
delatores premiados
alguns fundamentalistas
pelegos de sindicatos
mais o apoio da mídia
e estará feito o desastre
o fim da democracia
o enterro da liberdade

*

terça-feira, 27 de setembro de 2016

crise

líria porto

sem profundidade sem superfície
quem puder me traga um copo d'água
com estricnina

cabocla

líria porto

tenho inveja não
nem de quem tem terra
nem de quem tem luxo
tenho inveja é de quem lê
de quem escreve sem erro

*

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

fartura

líria porto

benjamim –– o sorveteiro
sócio de meu pai
chocava os ovos pra nós
(na chocadeira
é lógico)
mandava os pintos
e meu pai
alimentava-os

(nunca faltou-nos carne
nem bolos nem omeletes)

*

cismas

líria porto

marandovás em camadas
nos troncos das laranjeiras
eu tinha nojo e medo
porém pensava – veria
nascerem as borboletas

(para que servem as lagartas?)

*

meu pai

líria porto

cimentou o quintal fez canteiros 
e semeou esporinhas à volta
das laranjeras
:
(florinhas roxas brancas cor-de-rosa
ainda povoam-me os olhos)

*

dias de são nunca

líria porto

conquanto nossas angústias
perpassem quaisquer milênios
sabemos que as petúnias
florescem desde setembro
e tingem com a cor fúcsia
canteiros dos quais me lembro

(nós fomos crianças juntos
subimos em paus-de-sebo
fizemos graças bagunças
vivemos sem arremedo)

domingo, 25 de setembro de 2016

o ovo

líria porto

o zero nada vale
o zero vale tanto
o zero não é o mesmo
conforme o lado
que esteja

*

rugas

líria porto

velho
é o ser encolhido
dentro da pele

*

a cura

líria porto

arrancar a crosta lancetar a mágoa
deixar vir à tona e drenar a dor
o ressentimento
:
quando necessário afundar um pouco
e raspar o osso

(cicatriz não dói)

*

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

raia

liria porto

no pódio os masoquistas
nas arquibancadas
os sádicos

*

temporada de caça

líria porto

as verdades que inventam
(suas convicções
e razões inexplicáveis)
valeriam mais que provas
condenariam inocentes
protegeriam canalhas?

*

transparência

líria porto

a blusa de renda
que a lua usava
lavada na chuva
pendurada ao vento
:
no varal
do firmamento

*



quinta-feira, 22 de setembro de 2016

visão

líria porto

ficamos
em seu ponto cego
o amor vê tudo
não nos enxerga

*

segundo seu josé

líria porto

um amigo quando some
está a fazer besteira
ou fala de ti por trás
ou te prepara a rasteira

*

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

vaidade

líria porto

à sua imagem e semelhança
deu no que deus –– arrogância

*

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

levianos

líria porto

sejamos honestos
tu não prestas eu não presto
mas somos muito melhores
que aqueles que nos acusam
sem provas

*

minguante

líria porto

de novo
a lua parece um ovo
e aparece no céu
para espiar o inferno
do povo trabalhador
que se sente ameaçado
por um governo de merda
que lhe caça os direitos

*

domingo, 18 de setembro de 2016

de mãos dadas

líria porto

correu atrás do amor
um tempão a persegui-lo
deu-lhe flor doce bombom
o amor tal como um grilo
pulava de galho em galho
então desistiu do amor
e buscou nalgum amigo
tudo que sempre quis
:
camaradagem

*



sexta-feira, 16 de setembro de 2016

abro mão

líria porto

o finado teu marido
deitou-se na minha cama
rolou comigo achou bom
devolvi-o são e salvo
e ainda com saúde
:
a pensão é tua
já tive o meu quinhão

*

os critérios

líria porto

português e matemática
tirava notas ótimas
(tinha que saber)

história e geografia
tirava notas médias
(teria que estudar)

seria reprovada
por mau comportamento
ou pela cor da pele?

*

véspera

líria porto

um dia péssimo
de pensamentos confusos
e pancadas na testa

um dia extenso
dura mais tempo
que um século

*

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

(para o livro sem pecado não tem salvação) desmedida

líria porto

quem é aquela mundana
de saia curta decote
que sem pudor sem juízo
provoca todos os homens?

quem é aquela maluca
com pinta de mulher-dama
que mira todos os machos
com seu olhar de medusa?

quem é aquela safada
mãe de uma penca de filhos
que sustenta seus meninos
co'a venda do próprio corpo?

quem é aquela senhora
que chamam mulher da vida?

*

chorume

líria porto

um lixo
nem laxante o ajudava
precisava escorrer
convocar os urubus
ficar livre da carniça
voltar a ser osso duro
ou então
cortar o pulso

*

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

rebarba

líria porto

casamentos são monógamos
casamentos são monólogos
casamentos são monótonos
casamentos são monóculos
casamentos são o canto
de falos e falas
falidos

*

envolvimento

líria porto

o que se fala em tese
o que se fala com tesão
:
um é da boca pra fora 
o outro é da pele
pra dentro

*

domingo, 11 de setembro de 2016

sinceridade

líria porto

preciso um apagador
pra desmanchar o que fiz
não o quiseste
era giz

(a dor
esta não conta)

*

descabreado

líria porto

ir por aí
sem norte
tal como fosse
um nenhum
sem documento
sem renda
só à procura
de rima
de algo que
por sensível
não me ferisse
de morte

*

lorota

líria porto

não levem ao pé da letra
toda verdade que dizem
falam pelos cotovelos
e a maior parte
                     é mentira

*

(peguei o sol no pulo) sanguessugas

líria porto

beberam-me à jugular
a poesia que eu tinha
precisei ficar sozinha
pra poesia voltar

(homens
vírus
e vampiros)

*

sábado, 10 de setembro de 2016

piração

líria porto

o girassol ficou louco
a causa todos sabemos
aquela ideia fixa
olhar o sol na pupila
até cozer o miolo

*

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

dissimulados

líria porto

em algum lugar de nós
pensamentos e lembranças
porém em nós há um pântano
onde se afundam em segredo
culpas pecados 
enganos

(esquecemos
por defesa
nossos pedaços
imundos)

*

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

vaivém

líria porto

a vaia voa
viaja
vai à veia
do velhaco
e o vaidoso
o vendilhão
viciado
em vanglória
em vale-tudo
é varrido
pra valeta
onde vivem
as varejeiras

(vê-se
num vapt-vupt
em desvantagem
vertiginosa)

*

mapa

líria porto

da praça sete à casa
subia a avenida afonso pena
virava à esquerda na getúlio vargas
chegava à contorno com rua do ouro
e ali mesmo subia a pouso alto
até a salutares

porém se tinha pressa
pela altura da praça tiradentes
pegava o atalho da aimorés
em direção à serra

(abraçava-a ofegante e um tanto cansado
aquele amante)

*

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

tropa de choque

líria porto

pelo andar da carruagem
ameaças ao futuro
eles voltaram ao poder
o abuso da polícia
continua

*

fogo cruzado

líria porto

quis enquadrar-me
colocar-me na mira
escapei
:
não sou a mãe do seu filho
nem sua refém

*

terça-feira, 6 de setembro de 2016

cartilhas

líria porto

semear letras
ao brotarem as palavras
colhê-las em ramalhetes
e ofertá-los às crianças
:
livros são buquês

*

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

amarelão

líria porto

dei de ficar no quarto
só saio com verso pronto
perco parte da manhã

esse verso miserável
que me rouba o melhor sol
não vale um tostão furado

(carece vitamina d)

*

serragem

líria porto

tem gente que é cara de pau
tem gente que é fogo de palha
tem gente que é duas caras
e mentiroso e covarde

*

domingo, 4 de setembro de 2016

fraudes

líria porto

personagens de nós mesmos
inventamos sobre nós o que queremos
e passamos fielmente a acreditar

*

flash

líria porto

morrer é poema épico
(solene como um soneto)
viver é haicai

*

sal na boca

líria porto

tudo fosse estranheza
chorássemos o gosto – o sacrifico
do porvir

*

acabada

líria porto

pesadelos trituram-me
transformam-me o repouso em aflição
dói-me a carne os ossos
(os pentelhos)
já dei coice no espelho
e nas sombras

*

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

nódoa

líria porto

a cada etapa da vida
viramos a página – algumas naturalmente
outras muito constrangidos

(assaltaram minha pátria)

*

o substituto

líria porto

sempre a tramar o golpe
que em eleições livres sequer seria
o síndico do edifício

*

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

colírio

líria porto

meus olhos
ficam claros quando choro
tenho lágrimas corrosivas
capazes de apagar
as nódoas

*

misógino

líria porto

não sei se consigo
com quem mais viesse
cercar o maldito
fazê-lo sentir-se
frágil acuado
tal como as mulheres
que humilha e coage
com gestos palavras
de forma covarde

*

terça-feira, 30 de agosto de 2016

inesquecível

líria porto

então vieste senhora
diante dos teus algozes
dos seus focinhos dentuças
revelaste as artimanhas
e as entranhas do golpe
travestido de impeachment
(o que existe em suas tripas)

com galhardia e honra
e pela democracia
(ainda que ela sucumba)
terás lugar na história
:
volta querida

*

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

quinta coluna

líria porto

mentiras jogo de interesses
quem aponta o dedo cheio de certezas
veio para a ceia como fosse judas
por trinta dinheiros
e por traição

*

pandilha

líria porto

piores que tsunamis e tornados
o congresso do momento
sua corja de calhordas
e canalhas

*

rapina

líria porto

urubus rondam o congresso ratazanas
afiam os dentes aguardam para breve
a decomposição da carne as vísceras
da democracia

*

nocaute

líria porto

o verso pode ser
um murro com luva de boxe
(só a pancada –– o choque)
nada de moralismo romantismo
auto-ajuda
ou luvas de pelica

*

dedicatória

nus descampados (im)puros
fiamos o plenilúnio

(líria porto)



*















quem tem pena de passarinho
é passarinho

(líria porto)

Arquivo do blog