repartida em gomos
uma bergamota
a terra
os meridianos
essas longitudes
greenwich é zero
nada mais importa
pois a nossa hora
jamais coincide
:
anoiteço
amanheces
desconheço o mercado
e não sei vender meu peixe
então pesco pra consumo
meu e dos meus amigos
:
àqueles que me procuram
que apreciam o (des)tempero
há sempre um lugar um naco
alimento-os com fartura
ficas de lá da serra
eu de cá sem nem te ver
queria abrir a porta
correr pelo mundo
(eu iria tu virias)
abraçar-te em linha reta
nenhum cansaço
obstáculo
:
só tu
e eu
ela vende muamba da china eu quero comprar um chinês de olhos bem puxadinhos sorriso fácil pelos lisos para brincar comigo ensinar-me a comer com palito e a falar mandarim
as dores são múltiplas
agudas ou crônicas
e fincam e queimam
e ardem nas vísceras
nos músculos na pele
nas veias nos nervos
porém nos atestam
há vida
:
morte é freada brusca
derrapada no despenhadeiro
pra ti que me esqueceste
estes mal traçados versos
plenos de recordações
de desejos inconfessos ndas horas descabidas
nas sombras da escadaria
ou no elevador do prédio
a roupa limpa passada – com cheiro bom de manhã
penduro-a no armário como se ainda morasse
em meu corpo de criança
:
respiro fundo e me sinto
purificada
no vai e vem das palavras
nas intenções corrompidas
(manipulação dos fatos)
os delatores se prestam
(com o aval dos juízes
cumplicidade da mídia
e para se safarem)
a rechear as verdades
com fatias de mentiras
e desconfiança
(tudo bem engendrado)
:
entre notórios bandidos
introduzem gente limpa
que pelos seus compromissos
convicções atitudes
contraria interesses venais