segunda-feira, 21 de setembro de 2015

onda

líria porto

o mar avança
depois recua
nessa incerteza
a maré enche
e se esvazia
:
conforme a lua

*

noz

líria porto

come a castanha
quem rompe o lacre
da virgem

*

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

(peguei o sol no pulo) a fortuna

líria porto

nem mais nem menos
o tanto
para suprir a família
pagar as contas
mandar os filhos à escola
os uniformes os livros
a festa de são joão
e no natal
a ceia com rabanadas
castanhas
lembrancinhas pras crianças
um vestido pra mamãe
sapatos novos
:
meu pai –– riquíssimo
com seu cigarro de palha
no balcão do armazém
de sol a sol

*

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

o tempo não tem tampa

líria porto

a lua é tão velha tão velhinha
que vovó era menina
e a lua já existia

*

inseparáveis

líria porto

a sombra cresce conosco
encolhe-se ao meio-dia

para encará-la nos olhos
só de costas para o sol

(qualquer dia crio asas
deixo a sombra para trás)

*

trabalho forçado

líria porto

tem cupim dentro do pau
vasilhas sujas na pia
o varal arrebentou
faz dias não varro a casa
a geladeira vazia
(levas de refugiados
mortes em alto mar
desespero violência
acusações e golpistas
a direita não dá trégua)
poesia nem me digas
estou sem prazo
pro verso

*

terça-feira, 15 de setembro de 2015

êxodo

líria porto

pertences conquistas
deixar tudo e seguir
olhos no horizonte
rumo ao desconhecido
(manter vivo o sonho)

só a existência
corre riscos

*

fogo-fátuo

líria porto

ao exilar-me de mim
mudar de dentro da pele
não fazer nenhum esforço
nem pra rir nem pra chorar
não sentir mais dor alguma
saudade tristeza alegria
tornar-me uma entrelinha
dormirei o sono justo

*

provedor

líria porto

teu corpo – meu oásis
matava-me a fome a sede
repunha minha energia

eu vivia pedra e areia
eras o que eu tinha

*

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

autômato

líria porto

inspiro expiro caminho
e como e bebo e bocejo
ligado no automático
a vida pasta
não vejo

*

acusação

líria porto

tirem o cavalinho da chuva
eu tu ele nós vós eles – vocês
ninguém passará incólume
menos ainda quem julga

*

domingo, 13 de setembro de 2015

nau frágil

líria porto

nossas crias batem asas
sentimo-nos pequeninos
:
saudade pesa igual chumbo
o nosso barco sem rumo

*

sábado, 12 de setembro de 2015

santinha

líria porto

fosses o osso
o cachorro não te largava
rosnava com todos
vacilava ao trocar-te
por carne

*

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

inveja

líria porto

tem uma rolinha
arrulhando e fazendo ninho
na minha janela
:
e eu sem passarinho

*

terça-feira, 8 de setembro de 2015

equação

líria porto

todas as mães
tão múltiplas de si
tão divididas

*

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

neuroses

líria porto

enrolo-me enrolas-te
enrolamo-nos
e neste embaraço
algozes somos nós
tão desumanos

*

rodeio

líria porto

rastilhos de pólvora
passam rente ao povo

gritaria estrondo
o chão estremece

não sei se alegria
ou se desespero

desse homem pobre
sem terra e sem gado

que se agarra à festa
por ser boiadeiro

*

domingo, 6 de setembro de 2015

no fígado

líria porto

quem vai na onda é surfista
a minha pista é a verdade
e não existe só uma

as verdades são murchas
demoro a analisá-las
não sou leviana

(nem da mídia)

*

cova

líria porto

máscaras mágoas ressentimentos
tudo na mesma vala
a sete palmos

(em vida
ervas daninhas)

*

sábado, 5 de setembro de 2015

puteiro

líria porto

que inveja das mulheres
dos seus bobes dos seus
robes
saltos altos
dos seus homens
da fumaça dos cigarros
do uísque
das noitadas
de tudo que não vivi

*

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

descabelada

líria porto

vovó quer que os cabelos cresçam
só para fazer um coque
eu não
vou é raspar a cabeça
passar máquina dois ou três
para pirraçar o vento
que me põe em maus lençóis

*

privacidade

líria porto

só
consigo
comigo

*

domingos e feriados

líria porto

dias inúteis
(na opinião do patrão)
dedico-os a meus filhos
reparo como cresceram
nos dias que trabalhei
de sol a sol

*

rapina

líria porto

quer a curva não o ângulo
por mais desdobrado que seja
que as retas o aborrecem
para as guinadas é lerdo
prefere ir lentamente
circular
asas abertas

(nem regurgita a carniça)

*

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

de pousos e voos

líria porto

fui pela sombra
e a sombra
sempre agarrada a meus pés
diluiu-se

esse assombro
que as borboletas conhecem
em sua vida tão breve
segue comigo

*

soberania

líria porto

sou uma espécie de rainha
sem súditos sem seguidores
sou a rainha de mim

*

renda de bilro

líria porto

milhares de bicos
um canto bem orquestrado

a prima vera capricha
pendura flores nas árvores

as cores são tão bonitas
não sei fazer destas mágicas

vou passear co'os meninos
andar juntos de mãos dadas

*

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

nuvem

líria porto

podes chover canivete
punhal espinho
o que flor
não deixes de chover chuva
um pouco para cada planta
um copo para cada bicho

(todos secos
e ávidos)

*

recônditos

líria porto

dentro – bem lá no fundo
debaixo de pedra ferro
e cimento
vontades secretas
desejos incômodos

(resíduos do inconsciente
de tudo que nos traduz)

não somos amenos

*

desembarque

líria porto

um dia uma hora
um minuto
mas não
o mar não veio
nem sua espuma

morro na areia
junto do cais

*

a musa

líria porto

não lhe importa o que a moça faça
se cursa faculdade
vai à missa ou à discoteca
ama os beatles admira o ditador
é virgem
                  ou garota de programa
se prefere vinho refrigerante
se come macarrão
usa biquini minissaia pantalona
saias curtas meias soquete tênis 
vidrilhos e miçangas
ou bueca
:
só pensa na graça dos seus seios súbitos
em seu cheiro de lavanda

(e tudo acaba amanhã)

*

domingo, 30 de agosto de 2015

regresso

líria porto

eu estrelo – ele tucana
e bicudo não me beiça

(no frigir dos ovos)

*

a chance

líria porto

já não tenho tempo
pra matar o tempo

viver tem começo
tem meio e tem fim

no final da linha
onde eu me encontro

embarco num voo
ou pasto o capim

*

segredo

líria porto

da boca pra dentro
confusão barulho
da boca pra fora
sigilo

*

sábado, 29 de agosto de 2015

pano de chão

líria porto

o tempo faz-me uns furos
eu me cirzo com frequência
nem por isso tranquilizo-me
esgarço-me por fora
e por dentro

*

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

desconstrução

líria porto

tecer um manto leva tantos dias
desmanchar um manto
um piscar de olhos

*

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

origem

líria porto

na semente
mora a floresta

em nossos netos
a humanidade

*

guerrilha

líria porto

essa brancura de pele
acidente de percurso
podíamos ter outra cor
outra textura
nada nos faria diferentes
ser gente é questão 
de postura

*

ilícitos

líria porto

soube-se
de fonte limpa
que se locupletam aqueles
que usam métodos
sujos

*

na biblioteca

líria porto

nada como um dia atrás das ostras
e das pérolas

*

do espetáculo

líria porto

sigo sem pique para tanta coisa
tenho estado triste e muito cansada
subo a ladeira até a metade
e depois despenco como fosse
um caco

nessas alturas saltar obstáculos
tão grande o esforço que me leva a nada
pressinto que paro a qualquer momento
fecho a cortina e abandono
o palco

*

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

gatilho

líria porto

aos que abominam a velhice
a vida oferece uma chance
a morte prematura

ninguém segura o tempo
a tempestade
o vento

*

terça-feira, 25 de agosto de 2015

febre

líria porto

da ponta do cabelo
à sola do pé
o arrepio

doido
doído

*

sentença

líria porto

em 1945
fui condenada
à vida

para cumprir pena
ganhei asas

(no corpo
um bolo
de setenta
velhas
:
todas de pavio
curto)

*

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

maioria

líria porto

tem tanta estrela no céu
tem tanta estrela no mar
tanta estrela no planeta
mais que tucano
e urubu

*

reza

líria porto

o pão nosso –– pão francês
dai-nos hoje com manteiga
não com margarina

*

domingo, 23 de agosto de 2015

legítima defesa

líria porto

em qualquer lugar do mundo
onde te visse saberia – perder-me-ia
de mim

a carne é faca

*

debaixo

líria porto

excluímos da nossa vida
o ex-amor o ex-amigo
porém à noite
num sonho
sentam-se à nossa mesa
servimos-lhes pão e vinho
e todos os sentimentos
que havíamos banido
estão lá
ainda queimam
:
brasas cobertas de cinza

*

vizinhos

líria porto

o futuro é logo ali
no próximo minuto
:
e não existem distâncias
toda lonjura é perto

*

face

líria porto

a beleza não carece muito
faz-se de jeito simples

*

das convicções

líria porto

não fica em cima do muro
ou está dentro ou está fora

se dentro mergulha fundo
se fora não participa

há causas que não aprova
não sabe fazer intriga

atear fogo no circo

*

maciço

líria porto

no dia da despedida
o abraço maior do mundo
entraste pelos meus poros
formamos u'a massa única
metade de nós foi embora
a outra ficou em mim

*

sábado, 22 de agosto de 2015

versos noturnos

líria porto

não vou me deixar morrer
por um sonho arruinado
nem sempre nossos anseios
correspondem à realidade
melhor arregaçar as mangas
e continuar

*

o mentiroso

líria porto

nem co'a boca na botija
e provas que o acusam
admite a falcatrua

põe uma cruz sobre o peito
faz cara de cu pra dizer –– não fiz mal algum
ao trono não renuncio

(e que tudo o mais se foda)

*

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

plasta

líria porto

tinha sangue de barata
a mosca-morta

*

jardim da infância

líria porto

pátio do colégio
criançada de uniforme
bando de andorinhas

arrulhos brinquedos
alegria que floresce
risos que borbulham

*

mamãe

líria porto

eu te amo
mas não sem conflito
quando dás um grito
ou me ameaças
eu sinto vontade
de fugir de casa

quando eu crescer
e fores velhinha
como a vovó
vais morar comigo
e não num asilo
não te abandono

então eu te digo - fica calma mãe
vou ser um bom homem

*

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

das emoções

líria porto

o amor é discreto
raramente atravessa as paredes
o piso o teto ou vai à janela gritar
:
o ódio é que faz escândalo

*

partícula

líria porto

eu é tão pouco
a_penas grão de areia
e deserto

eu é quase nada
e ao mesmo tempo
é oásis

*

(para o livro sem pecado não tem salvação) desejos mínimos

líria porto

o que eu quis e quero
não é ser bailarina do moulin rouge
nem dançar um tango em buenos aires
o que mais desejo é dançar bolero
com um cafajeste
                        num motel da estrada

*

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

sequestro

líria porto

o vento me empurra
(que amante rude)
arranha-me a pele
embola meus pelos
e nem se desculpa

*

(para o livro sem pecado não tem salvação) sem rima nem métrica

líria porto

eu tenho a boca suja mas mãos limpas
mando à puta que pariu fico com raiva
reconheço que errei peço desculpas
o que tenho a dizer digo na cara

eu não conto os segredos do ex-amigo
não deduro companheiro nem a pau
e nem julgo o que fez os seus motivos
cada qual sabe de si e ninguém mais

falo não falo talvez e falo sim
faço silêncio se preciso preservá-lo
quero distância é dos donos da verdade

eu não temo a solidão – prefiro assim
a caminhar na caravana dos fingidos
dos que sorriem e nos furam com punhal

*

sábado, 15 de agosto de 2015

chave de braço

líria porto

para o pai era atrevida
para o marido mandona
o avô achava-a
um amor
;
trata-nos como rebeldes
quem nos quer domesticar
calar-nos a boca

*

pitbulls

líria porto

nem havia cercas
depois fincaram estacas
esticaram arames
levantaram muretas
muros altos
puseram cacos de vidro
passaram fios elétricos
e por último
os rolos de aço
pontiagudo
:
ninguém mais
dá bom-dia

*

passaredo

líria porto

os ninhos acordam
piu firifiu fiu fiu fiu
a sinfonia

*

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

madeira de lei

líria porto

foi-se
não sem resistência
teimava em viver
amava mais a vida
do que amou a mim
ou outra pessoa

*

descompasso

líria porto

o bicho-homem
sedento faminto
ávido por lucro
nem mastiga
devora tudo

a natureza
o seu ritmo
gasta séculos
para recompor
os recursos

(a noite se aproxima)

*

perdulários

líria porto

quem atira pérolas aos porcos
ainda vai usar colar
de pipoca

*

margaridas

líria porto

singelas
sem perfume
embelezam campos
praças ruas becos
casas casebres
e avenidas
:
florescer é um ato heroico

*

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

bicho-do-mato

líria porto
o lugar que moro –– rente a quase tudo
um furo na terra para onde rolo
e fujo do perigo
(sou o tatu-bola)

*

o outro lado da moenda

líria porto

quem procura
pode achar um furo
em qualquer postura

quadrados e cúbicos – prefiro
os redondos

*

terça-feira, 11 de agosto de 2015

varredura

líria porto

soltam-se as folhas
curvam-se as cerdas
formam-se bolhas
nas mãos das servas

vassouras varrem
o vento suja
o vento não sabe
quanto lhes custa

*

malcriada

líria porto

desafiar a censura
dar banana à opressão
dizer não se esperam sim
e quando precisar
um palavrão

(as rimas em ão são mais brutas)

*

(meta)morfose

líria porto

o feto
o bebê o menino
o moço o adulto o velho
o defunto
:
todos num corpo só
da entrada à saída do mundo

*

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

o mundo

líria porto

descartável fictício virtual
não mais olhos nos olhos
encontros de família

a convivência?
nas redes sociais

a lua?
uma fotografia

*

nutrição

líria porto

não nasci ontem
sou de outro século
do tempo que a gente
não precisava de gotinhas
de vitamina d
nem usava complemento
vitamínico

tem sol lá fora
feijão milho laranja e banana no pé
:
chão é laboratório

*

domingo, 9 de agosto de 2015

dom juan

líria porto

faz tempo que não te beijo
mas não me esqueço do cheiro
do jeito que me abraçavas
horas inteiras no leito
de algum lugar

o despertar apressado
cada qual pra sua casa
pra não levantar suspeita
e tanta coisa era feita
debaixo do acolchoado

*

sábado, 8 de agosto de 2015

impenetráveis

líria porto

pedra é pedra
até certo ponto
depois vira piso
teto alicerce lápide
muro
estátua imagem
facínora

*

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

periféricos

líria porto

os dedos formigam
e assim
dormentes
não sentem nas pontas
as teclas que insistem
em versos capengas
tão mal empilhados
sem sumo e sem cepa
quais fossem um punhado
de cacos de vidro
ou areia

*

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

interpretação

líria porto

poder eu posso não sei se devo
as circunstâncias são favoráveis
penso nas consequências
:
a vida cobra – é cascavel

*

drible

líria porto

em caso de pesadelo
trocar de cama e manter
a luz acesa

monstros são formigas
desbaratada a trilha
eles não retornam

*

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

nascimento

líria porto

a urgência o sexo
trinta e seis semanas
e a vida a jorrar
entre as pernas

*

cascatas

líria porto

as águas
a correnteza
o penhasco
o salto
o véu da noiva
a pedra
o rompimento do hímen
;
já não existem
donzelas

*

difícil

líria porto

mas dentro da casca grossa
pode haver sabor incrível – vide
o abacaxi

*

terça-feira, 4 de agosto de 2015

caudaloso

líria porto

meu amor nasceu na serra
fez a curva deu a volta
tropeçou na pedra
transbordou
não encolheu seu destino
:
morreu no mar
como um rio

*

ponto

líria porto

comboio de dúvidas de ansiedades
tombamento no meio
da página

*

maria fumaça

líria porto

nos mesmos trilhos
enquanto vou ela vem
é certo –– na hora certa
a gente bate de frente
:
a morte e eu

*

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

reincidência

líria porto

vez em quando vez em sempre
vez por outra menos mais
saberei com qual frequência
dir-te-ei nunca
jamais

*

satélite

líria porto

no universo da pele
o maior órgão do corpo
a sensação que me impele
a girar no seu entorno

*

desacordo

líria porto

eu sou a minha patroa
boa para mandar –– péssima
para obedecer

*

de verdade

líria porto

amélia
é que era
mulher
deserdada

*

santo

líria porto

dai-me algum sonho
um chá pelo menos
uma farda prateada
um padrinho
algo que me aproxime
do vosso deus

*

resgate

líria porto

sinto saudades tuas
mesmo se estás do lado
amo-te por nós duas
água do mesmo pote
farinha do mesmo pão
terra do mesmo barro

*

domingo, 2 de agosto de 2015

(peguei o sol no pulo) amargura

líria porto

como falar de flor
se hoje estou um espinho
só

*

demora

líria porto

quem espero
não me alcança

*

(para o livro sem pecado não tem salvação) sedução

líria porto

tem homem que me deixa tonta
o garçom por exemplo

*

sábado, 1 de agosto de 2015

a namorada do papai

líria porto

sem louros medalha
com a calma das trepadeiras
:
a pele sempre boa

*

a casa

líria porto

a passarada acorda
todos abrem o bico
pai mãe filho vizinhança
ninguém se entende

voa um pra cada lado
a árvore em silêncio

*

aposentado

líria porto

palavras cruzadas
a mesma letra a servir a outras tantas
verticais horizontais
e o velho a queimar tutano

*

quando eu morrer vou virar entrelinha

dedicatória

nus descampados (im)puros
fiamos o plenilúnio

(líria porto)



*















quem tem pena de passarinho
é passarinho

(líria porto)

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