segunda-feira, 24 de setembro de 2012

reação

líria porto

agora ninguém me amassa
o que passou já passou
eu tenho asas
coragem
preparo o próximo voo

*

domingo, 23 de setembro de 2012

complexo

líria porto

a arrogância é o disfarce de quem
é pequeno e não consegue crescer

*

sábado, 22 de setembro de 2012

des_cuida

líria porto

tropeça na poesia e cai de boca
na boca do povo

*

crítica

líria porto

muita nem pouca
do exato tamanho da nossa
(in)significância

*

partida

líria porto

palavras duras – de inverno
inundaram-me de tristeza
porém livraram-me a vida
dos dias cinzentos

ainda me recupero
e dentro em pouco terei
as flores da primavera
as alegrias inteiras

*

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

mudança


líria porto

virou-me as costas não olhou para trás
acaso volte não me peça para eu ser a mesma
o amor se esgota

*

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

in_sensível

líria porto

estendo a mão
e o outro lado da cama
é frio como pedra

rolo meu corpo
tento aquecer o outro lado
meu corpo gela

*

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

na ponta dos pés

líria porto

existe uma chance a porta entreaberta
até quando não sei – pode ser que amanhã
eu me ponha fora de alcance

quero as chaves do céu

*

terça-feira, 18 de setembro de 2012

parede

líria porto

lembra-te – és pó
(disso eu não me esqueço)
então eu não choro mais
pois lama já é demais

*

noturno

líria porto

minha
sombra
sonha

eu
tenho
pesadelos

*

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

fênix

líria porto

sentimo-nos um nada um verme um zero à esquerda
até descobrimos que quem nos despreza fá-lo por pequeno
e não nos merece
:
levantamo-nos – primeiro a cabeça
o pescoço o dorso e pomo-nos de pé
para os primeiros passos

então voamos sem o peso
do remorso

*

domingo, 16 de setembro de 2012

performance

líria porto

a poesia não precisa do teu corpo
a poesia não precisa da tua voz
nem ao menos necessita
do teu verso

um poeta não precisa
ser ator

*

soluços

líria porto

primeiro o silêncio
depois ouviu-se o choro
como uma golfada
um vômito
                 de tristeza

*

sábado, 15 de setembro de 2012

aterrissagem

líria porto

em pouco voo estou quase
:
debaixo da terra um outro lugar
outra possibilidade?

seja o que for diverti-me à beça

*

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

vazios

líria porto

o que falta
salta aos olhos
o que sobra
ninguém vê
se não fôssemos
tão ingratos
estaríamos
bem felizes
com metade
do que temos
:
somos ricos
somos miseráveis

*



quinta-feira, 13 de setembro de 2012

entalo

líria porto

o mormaço as nuvens a poeira a dúvida
de repente um empurrão um susto
e tudo vai por água abaixo

*

terça-feira, 11 de setembro de 2012

delicadeza

líria porto

diferente do coração
eu não sei bater nem apanhar
então meu bem chega manso
roça-me o peito
                sem cavoucá-lo

*

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

tu

líria porto

volúvel como a trepadeira
ou um pé de chuchu

*

tapete

líria porto

aos pés do ipê
flores que não suportaram
o peso da beleza

*

domingo, 9 de setembro de 2012

sustentação

líria porto

voo como um pelicano – bato as asas plano
aproveito o ar da corrente para me sentir livre
dono absoluto do meu bico

*

a dor

líria porto

e não é dor na pele nos nervos nos músculos ou nas vísceras
nem dor de amor de saudade ou dor de ausência – a dor é profunda
e generalizada

brota dentro do esqueleto (no cerne de cada osso) atravessa-o
transpassa os órgãos chega às pontas dos cabelos dos pelos dos cílios das unhas
e dói mais que a dor do mundo

reveste o corpo a alma preenche-os
é dor concreta inevitável é dor de poeta
esse ser exagerado

*

sábado, 8 de setembro de 2012

ponto final

líria porto

quem vai banhar meu velho corpo
alimentar-me limpar os meus restos
quando eu não puder?
:
combinei comigo – meu último suspiro
será muito antes

*

toda verdade tem um fundo de verdade

a viagem

líria porto

a lua saía do chão
e a menina  acelera pai vai rápido
aproveita a lua aberta

*

sigilo

líria porto

grito calado
silêncio agudo
pedras não falam
escutam

*

féretro

líria porto

é hora de fechar os olhos
despedir do mundo deitar numa cova
e deixar que um corvo conte
a nossa história

*

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

lá vou eu

líria porto

tigres rugem no meu peito
gatos ronronam – não me dão
trégua

adeus viola violão gaita de fole
adeus terra

*

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

tripé

líria porto

sustentam relações duradouras
os que aceitam ficar à sombra
(as esposas por exemplo)

*

terça-feira, 4 de setembro de 2012

pé na cova

líria porto

cansaço quase abissal
deitou sobre a própria sombra
e não moveu mais um dedo

então a tosse atacou-o
assolou-lhe o peito as costas
qual um disparo de pólvora

passada a crise o seu corpo
(a pele os ossos a soberba)
aquietou o esqueleto

*

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

acne

líria porto

vontade de me casar
eu juro de pés juntos disso eu não sofro
sou doida mas nem tanto só pode ser
outra coisa

(rosácea - doença de pétala branca)

*

a termo

líria porto

nasce a primavera
e não temos chuva
para a mamadeira

*

eternidade

líria porto

amor  nosso amor  é para lá do além
onde ninguém sabe onde

*

espelho

líria porto

quanto mais perto da estrela
mais risco de queimadura
por isso prefiro a lua –– o afresco
da luz

*

campa

líria porto

a vida é grávida a morte abrupta
e entre agudos e graves
um juiz apita

*

domingo, 2 de setembro de 2012

tempos bicudos (quem tem pena de passarinho - ed. periópolis)

líria porto

madame natureza  estilista renomada
usa sobras de tecido dos fraques dos pinguins
para vestir andorinhas com trajes
de gala

*

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

(para o livro sem pecado não tem salvação) passatempo

líria porto

meu amor passou por aqui
do alto-mar acenou-me
e desde então eu só fiz
esperá-lo no cais
:
enquanto não vem
namoro os marinheiros

*

índia

líria porto

não fiz enxoval de noiva
o amor não me exigiu
tamanho sacrifício

eu fui com a roupa do corpo
com a cor da minha pele

*

revolta

líria porto

a poesia fugiu
desertou-se do meu verso
me deu um nó na garganta
no entanto eu não me calo
e só falo na injustiça

*

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

oco

líria porto

abstrato
cercado
de
concreto
:
poço

*

ceia

líria porto

o gato gabola
enrola os bigodes
alisa os pelos
e lambe com gosto
seu prato predileto
:
um rato
obeso

*

exposição

líria porto

a dor é profunda
furada com broca
então ponho a bucha
um parafuso
penduro o hematoma
com moldura
e tudo

*

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

miséria

líria porto

nem sapatos nem chinelos
o último partira as tiras
e maria não foi à missa

doíam-lhe as rachaduras nos pés
mais ainda o deus
sem piedade

*

domingo, 26 de agosto de 2012

cofre

líria porto

no toco tem um buraco
dentro do buraco um oco
onde guardo um tanto um pouco
desse meu demasiado

*

ponta a_ponta

líria porto

eu não pensava que vovó falasse a sério
então eu mesma continuo o raciocínio
fica tão próxima a infância da velhice
que a morte deve estar
                                       ali na esquina

*

saga_cidade

líria porto

atrás um perfume e uma cor que não se apresentam
à frente o cruzamento perigoso 

se eu me distraio com o passado
haverá futuro?

atento-me

*

sem estilo

líria porto

um estalo tolo e eu desisto
(esta faca cega não me levará)
a corda de fumo é que me enforca
num toco de hollywood



*

i_tens

líria porto

um pensamento uma emoção
uma palavra
                quase um silêncio

*

a moça

líria porto

as descobertas as madrugadas
todos os mistérios e na boca
um batom vermelho
 
*

preterida

líria porto

feiosa raquítica olhos imensos
cabelos aneladinhos como pimenta do reino
a mãe preferia passear com a outra – a primogênita

aprendeu a brincar com as sombras
e as delicadezas

*

sangria

líria porto

munido de noz e com raiva de mim
salvador deu dez tiros em meu coração
depois perguntou-me
queres vinho?
:
acenei-lhe que sim – ele disse
então vem

*

sábado, 25 de agosto de 2012

insatisfação

líria porto

bem dentro da alma  no âmago
(será que alma tem estômago)
eu sinto fome de quê?

*

terror

líria porto

rente ao portão do hospital
de onde saíam os defuntos
moravam as tias beatas
e com medo do outro mundo
de alguma coisa macabra
passávamos sem nem olhar
mas hoje sei são os vivos
a nossa grande ameaça

*

plantio

líria porto

as letras
as sílabas
as palavras
a sentença
:
lavrai a língua
semeai em fileiras
todas as luzes
e sombras

*

miragem

líria porto

um homem impossível inacessível – lá longe
eu ficava na ponta dos pés estendia-lhe os braços
não lhe tocava os esc_ombros

*

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

a atriz

líria porto

com uma saia cigana
um xale de renda preta
e eu virava uma puta
uma mulher sem cabresto

depois –– a roupa trocada
e limpa de qualquer culpa
fantasiada de santa
ninguém me apontava o dedo

difícil é ficar nua
a_penas seres tu mesma

*

censura

líria porto

prenderam-me em camisa de força
vendaram-me os olhos
costuraram-me a boca
acorrentaram meus pés
fecharam-me as portas
mas não se aquietam
meu pensamento está solto
e é demolidor

*

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

compatibilidades

líria porto

já me disseram – o vento
é um louco alucinado
mesmo assim damo-nos bem
ele derruba
eu cato

quando estou triste ele vem
sopra a tristeza pro alto
solto uma gargalhada
sou doida às vezes
ou quase

araguari – ventania
terra de boa água
e gente incrível

(eu inclusive)

*

cabisbaixo

líria porto

o verso ataca o papel
e o poeta acovarda-se

*

analistas

líria porto

divas nos divãs  as marias ali mesmo
nas frias cadeiras do sistema único

*

para torturar dona de casa

líria porto

poltrona no quarto não se presta à leitura
nela jogamos roupas penduramos a toalha
deixamos o guarda-chuva

(muito melhor
a privada)

*

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

tamanho

líria porto

sei de ouvir falar
dessa tal felicidade
cujo céu é o limite
:
só conheço a da formiga
dentro do açucareiro

*

armação

líria porto

não demora chove
as nuvens se fecham em si mesmas
ganham o peso dos re_banhos

*

palavras

líria porto

tatuagem e cicatriz
palavras belíssimas
pena que para obtê-las 
precisemos
              deferi-las

*

desleixo

líria porto

meu anjo é o dodói
quem cuida de quem sou eu
ele não se toca e eu morro
de ausência

*

desnaturada

líria porto

dá teu jeito  arredonda o coração
eu vou mamar do teu peito
um amor de mãe

*

desmistificação

líria porto

quem vai me salvar
a língua
que para se manter íntegra
precisa pronunciar
tudo o que a alma sinta
:
injustiças e maldades
todas as vilanias
os gritos os palavrões
abusos e canalhices

(língua limpa
impoluta
só a de um filho
da puta)

*

terça-feira, 21 de agosto de 2012

brrrrrrrrrrrrrrrr

líria porto

o frio é abraço de defunto
dedos finos e gelados
sob nossa blusa

*

móvel

líria porto

a cama antiga
balouçava igual jangada
oscilava pelos cantos
mal suportava
os amantes

a cama moderna
madeira de demolição
firme como as caravelas
navega sono adentro
sem balanço

(bom é dormir na rede
em cima o céu –– embaixo
a grama)

*

decisão

líria porto

amei-o o quanto pude
mas quando ao final de tudo
houve a indiferença
deixei-o
e caí no mundo

quem sei de mim
só eu dentro

*

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

suspiro

líria porto

muita vez eu me canso de mim
não ao ponto do autoextermínio

(quisera poder hibernar
sumir por uns tempos – enlouquecer
trocar de casca como as cobras
e as cigarras)

*

o pulo

líria porto

as patas do gato arranham o ar
era uma vez um canário

*

lugar-comum

líria porto

de tanto engolir sapos – goela entalada
gosto de cabo de guarda-chuva
tristeza aqui é mato a vida vai para o brejo
beijos foram para o ralo e mais dia menos dia
adeus viola

*

domingo, 19 de agosto de 2012

marca

líria porto

tão linda a palavra cicatriz
pena que para obtê-la
precisemos nos ferir

*

espantos

líria porto

muitas caras
uma da infância algumas da juventude
inúmeras caras maduras e agora
a da velhice
:
todo dia a cara muda

(e cega
e surda)

*

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

trêmula

líria porto

um frio tão gelado - acendo o fogo
ele me cobre com seu corpo e me beija
com sua boca de vulcão

*

a questão

líria porto

há quem se apresente igual anjo
e não passe de filho da puta

*

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

orvalho

líria porto

diante desse mar
debaixo dessa chuva
dentro dos teus braços
sou um pingo d'água

*

monumento

líria porto

no ombro o cântaro  na cabeça
cocô de pombo

*

abandono

líria porto

vi minha sombra
pronta para partir
puxei-a pela ponta
pedi-lhe que ficasse
ela deu de ombros
a desalmada

*

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

fogão de rabo quente

líria porto

dois paus de lenha gravetos
um pedaço de jornal ou papelão
um fósforo aceso três sopros
e fumaça e esforço

*

terça-feira, 14 de agosto de 2012

morbidez

líria porto

é que o suicida tem ideia fixa
vê o edifício surge logo um pulo
de alguma faca escorre seu sangue
pensa em gilete olha para os pulsos
nunca se esquece dos pontiagudos
daqueles objetos perfurocortantes
das armas de fogo do cianureto
dos medicamentos
de tarja preta

é que o poeta tem ideia fixa

*

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

distantes

líria porto

hoje
especialmente hoje
uma segunda-feira
sinto a tua falta

no começo
quando o amor era farto
às segundas me dizias
aqui é meu oásis

quando precisei partir
já não eras tão assíduo
e as segundas igualavam-se
aos outros dias

hoje
especialmente hoje
uma segunda-feira
sinto a vida áspera

*

condicionais

líria porto

se o estoque é escasso
se nem se faz para o gasto
se não convém ficar sem

se o orgulho o egoísmo
cavou valas e abismos
se só se pensou em si

esperar o quê
e de quem?

*

domingo, 12 de agosto de 2012

velhos tempos

líria porto

o disco de bolero
ele me abraçava
eu fechava os olhos
quando despertava
no leito desfeito
havia silêncio

e só

*

sábado, 11 de agosto de 2012

a caçula

líria porto

borboletinha amarela
voava rente na grama
tão singela simplesinha
parecia flor do campo
colhida pela manhã

*

vida moderna

líria porto

toda manhã
um comprimido para baixar a pressão
das vinte e quatro horas
que virão

*

lixo hospitalar

líria porto

o rim que me dói é o rim que não tenho
que foi decepado pela foice do erro
que não teve enterro nem reza
ou velório
:
o rim que me chora é o rim que não tenho
e eu nem sei dele

*

terça-feira, 7 de agosto de 2012

ativos e passivos

líria porto

falo seco
de arranco
coisa assim de capiau
ele é sedoso nas palavras
tem cetim na garganta
gestos de moça
:
damo-nos bem
ele faz papel de dama
eu viro macho

*

despeito

líria porto

mulherzinha sensabor
(na minha opinião)
levou ele de mim
e depois quis
devolvê-lo
:
quem ela pensa que é –– modelo
artista de telenovela?

(ninguém devolve meu homem)

*

dis_sabor

líria porto

o doce de leite na tacha de cobre
o açúcar era pouco o esforço era enorme
e o fogo queimava por dentro
                                              e por fora

desculpa seu moço –– estou tão amarga
tão triste e pequena com essa vida de pobre
que tudo o que faço tem gosto de fome
e cabo de guarda-chuva

*

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

miragem

líria porto

sumiste tu de mim e de um tal jeito
procuro-te no leito não há vestígio
parece que sonhei que existias
e eras tão somente invenção minha
desejo reprimido

*

epitáfio

líria porto

enfim de mim eu me livro
é meu último capítulo
a pá de cal

*

filmagem


líria porto

a gota trêmula no raminho do alecrim
era a chuva se mostrando e se negando
a cair

precisei paciência e mão firme

*

cristal

líria porto

gargalhada de criança – mais bonita
que o marulho a ventania ou o farfalhar
da árvore

*

domingo, 5 de agosto de 2012

formosura

líria porto

rosa desabrocha
abre as pernas para os homens

sua pele é como a pétala
tem maciez tem aroma

rosa encanta rosa trama
rosa espeta

rosa vermelha

*

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

patrimônio

líria porto

entre os morros e o casario
o vento assobia e dá voltas

faz frio  isso faz  mas a história de minas
dá lustres no brio e revela-se nas curvas
sob o som dos sinos

*

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

metáfora

líria porto

matar o mito é mutilar o motor
que move o imaginário

*

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

inevitável

líria porto

por mais que fechemos os olhos tapemos nossos ouvidos
fujamos das evidências a morte se faz presente
mais dia menos dia

*

sutileza

líria porto

não sê tão direto
põe sobre a mesa o cheque
(se possível em branco)
jamais o dinheiro
:
e não reclames

*

senões

líria porto

não sei o que fez o que fiz
só sei que abalou-me a raiz e fiquei
triste 

por um traste um alpiste
senti-me infeliz

*

dedicatória

nus descampados (im)puros
fiamos o plenilúnio

(líria porto)



*















quem tem pena de passarinho
é passarinho

(líria porto)

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