terça-feira, 21 de abril de 2009

leve

líria porto

flutuo plano desmaio
pouso numa flor
num galho
:
o vento me leva
o orvalho me prende
tenho corpo d'alma

                             p
                           l
                             u
                               m
                              a

*

outonais

líria porto

despem-se as árvores
a tarde pinta-se de batom
veste-se de festa

os dias desmaiam
em meus olhos

*

segunda-feira, 20 de abril de 2009

autoestima

líria porto

gostar de mim é do jeito que voo
polegadas a mais pesares a menos
e no extremo do gozo

*

caminho

líria porto

longo ou curto
estreito ou largo
reto ou sinuoso
a vida é o atalho
entre o berço
e o fosso

*

domingo, 19 de abril de 2009

cometi um soneto

líria porto

pedi socorro a hipotenusas e catetos
falei comigo e também com os meus botões
amasso versos sou assim aos borbotões
porém insisto em processar alguns sonetos

conversa vai conversa vem eu vou tentar
busco o luar a luz do sol amarro-os bem
ou largo tudo num papel em qualquer trem
trago co'as mãos as ilusões lá de além-mar

batuco os dedos a contar sílabas tortas
e veja só velho camões se não te importas
sempre fui doida e fico mais tenho certeza

falo sozinha a cavoucar rimas avessas
sou assassina criminosa ré confessa
deste soneto atordoada eu me fiz presa

*

ao pé da serra

líria porto

nas tardes molengas
pão de queijo café
mingau e pamonha
coalhada broa de fubá
milho assado ou cozido
biscoito de polvilho
um dedo de prosa
u'a moça formosa
um beijo
um chamego

nas noites de lua
seresta cachaça
caipirinha torresmo
cerveja gelada
farofa linguiça
tutu à mineira
um causo animado
um pito um violão
um fogão de rabo
um amor fagueiro

*

sotaque

líria porto

em nossa boca
a saliva doutra pátria

*

espelho

líria porto

sonhei sonhar e o sonho
tanto quanto o pesadelo
não disfarçava a idade

não se vive impunemente
ficamos todos velhos

*

vida privada

líria porto

todo sujeito é sagrado
abomino aparelhos
que o invadam

*

sábado, 18 de abril de 2009

arritmia

líria porto

manhãs loiras tardes ruivas
noites morenas  o sol endoidece e a lua
rói as unhas

*

cegueira

líria porto

sem lentes microscópios
as linhas se embaraçam
as bordas se desfazem

desacordo míope
sem saber do sonho
o que é realidade

*

boca limpa

líria porto

pimenta malagueta era tiro e queda
contra palavrões

(proparoxítonas
sentimentalismos
inconstitucionalidades)

*

sexta-feira, 17 de abril de 2009

(publicado em cadela prateada - ed. penalux) - rapto

líria porto

o vento cavalga a nuvem
leva a lua na garupa

sabe-se lá para onde

*

viseira

líria porto

certezas são vigas
vagas dúvidas
ondas contra a pedra

mu(r)ros

*

escorregadio

líria porto

dúvidas são certezas líquidas
certezas são dúvidas sólidas?

*

quinta-feira, 16 de abril de 2009

solidão

líria porto

dentro dum grão de areia
o deserto

*

casal

líria porto

ele magrinho
ela encorpada

xícara bate asa
pires fica triste

*

(publicado no livro olho nu - ed. patuá) bodas de osso

líria porto

mentiras não houve
apenas silêncios omissão de fatos
ausências
                     insônias

para dourar a pílula
mudávamos as vírgulas
de comum acordo

durou uma vida

vida?

*

conforto (quem tem pena de passarinho - ed. periópolis)

líria porto

qualquer lugar me acomoda
um casebre uma choupana
uma tenda um barracão
não me atrapalham as paredes
de palha barro ou lona
:
há lírios do pântano

*

nebuloso

líria porto

se convexo
ele me côncava
e me prende
como concha

*

resignação

líria porto

existe na vizinhança
um passarinho cantor
vive preso na gaiola
e jamais se quebrantou

por um punhado de alpiste
um bocado de água fresca
canta afinado bonito
a louvar a natureza

*

quarta-feira, 15 de abril de 2009

passional

líria porto

odeia adora
não há meio-termo
é no extremo
do (res)sentimento

vermelho no branco
do olho

*

apelido

líria porto

pulava e ria ao passar na pinguela
cuidado menino dizia-lhe a mãe

se cair eu nado se cair eu nado
se cair eu - ploft
:
pinto molhado

*

terça-feira, 14 de abril de 2009

a_balada

líria porto

cansada da fama da casa da cama da gata
madama alcança a sacada balança a carcaça
gargalha

s
a
l
t
a

atrapalha a manhã da babá

*

segunda-feira, 13 de abril de 2009

corações tímidos

líria porto

olhavas as flores
as flores me olhavam
:
silêncios perfumam
jardins

*

compulsório

líria porto

sem data de vencimento
o prazo pode ser grande
ou pequeno

(assunto proibido - para acontecer
basta-nos estar v i v o s)

fingir não resolve
tirana é quem cobra
a apólice

(quem de nós será
o próximo?)

*

domingo, 12 de abril de 2009

bem-querer

líria porto

abril-me o azul
o céu de anil
é meu é mel
seu meu
anelo

*

o poema

líria porto

não se desprende da ponta dos dedos
fica debaixo da unha tal como farpa
ou sujeira

*

o verso

líria porto

este chicote
este lanho nas costas
esta cicatriz em cruz

*

penúria

líria porto

das minhas tantas manias
das quantas várias proezas
dalgumas eu nem me lembro

muita vez imploro à chuva
disfarça tua amargura
e chora sem estridência

(poesia
é ideia
fixa)

*

sábado, 11 de abril de 2009

(publicado no livro olho nu - ed. patuá) reme reme

líria porto

o momento congelado
preso na fotografia
um flagrante do passado
como a carta que te envio
quando a lês estou mudado
e a tristeza que havia
poderá não existir
:
o tempo é rio

*

enigma

líria porto

se eu me chamasse dolores
esquecesse minhas dores
vestisse todas as cores
tivesse muitos amores
nem que fosse pra rimar
a vida seria mais doce
(fosse o que fosse)
ou amarga?

*

valores

líria porto

lagarta vira borboleta
gente não
troca cores asas voos
por paredes
arrasta casa e solidão
como os caracóis

*

e tenho dito

líria porto

proibo-te de me proibires
eu fiz tu fizeste
nós dois faremos sempre
:
são tão minhas quanto tuas
as (in)consequências

*

incréu

líria porto

não vejo a hora de chegar ao paraíso
para ouvir são pedro carimbar os passaportes
esse pode esse pode esse pode esse não pode

(e eu ficar de fora)

*

sexta-feira, 10 de abril de 2009

(publicado em cadela prateada - ed. penalux) - sábado

líria porto

é dia de comer a aurora
lamber o sol a lua
sujar o colarinho de nuvem
arrotar brilho de estrela

*


quinta-feira, 9 de abril de 2009

choro

líria porto

eu não tenho mar não tenho ri(s)o
e não tenho lago riacho cisterna chuva enxurrada
poça ou copo d'água

eu só tenho pó e esse jeito de ser
tão

*

sangre

líria porto

num dia de domingo ao som de um belo tango
nasceu uma menina boca de morango

cabelos purpurina olhos de quebranto
chamava-se marina e usava um manto

morava numa esquina telhado de amianto
cresceu muito sozinha casou-se com um santo

foi tão infeliz ninguém sabe o quanto
e de tanto tanto e de espanto e sangue

mandou-o sem pesar
                         pros quintos do inferno

*

(publicado no livro olho nu - ed. patuá) lealdade

líria porto

por ti eu faço
seguro a onda no braço
e se o mar te der rasteira
amarro-o numa coleira
arrasto-o para as areias
do deserto de saara

*

solidão

líria porto

vasta palavra cercada de silêncios

*

quarta-feira, 8 de abril de 2009

íntimo

líria porto

em seu regaço eu me aninho
e escorro e escorrego sento juntinho dos pés
igual água da bica quando cai na bacia

*

(b)isca

líria porto

uma bolha uma folha uma rolha uma escolha
uma tola uma tonta uma sonsa
que inventa intenta imagina improvisa
para chamar-te à tensão

(à tentação)

*

morta

líria porto

a alma enclausurada
fechada dentro da dor
às vezes tudo se acaba
sem precisar sepultura

*

terça-feira, 7 de abril de 2009

costume

líria porto

amar amou não foi pouco
deixou de amar - tudo bem

se separar foi alívio
por que o ciúme?

*

reação alérgica

líria porto

de fora para dentro
a imensidão o universo

de dentro para fora
a aflição o medo

no ponto de fusão - na pele
a erupção

*

segunda-feira, 6 de abril de 2009

indícios

líria porto

quem pensa que nos conhece sabe tão raso tão pouco
se mais amar-nos soubesse encontraria o tesouro

*

(publicado no livro garimpo - editora lê) - tropeço

líria porto

rumina os versos mastiga-os
engole-o letra por letra
lambe a rima o ritmo
a métrica
então engasga e os esquece

*

caminhante

líria porto

não sei se sei se aprendi
se fico se vou-me embora
sem ver entrei nesta vida
restou-me a estrada

retorno?

*

domingo, 5 de abril de 2009

comparação

líria porto

peito amarelo
o corpo cinza
sacode as asas
reabre o bico
sobe nas galhas
canta assobia
ai quem me dera
ser passarinho
eu tenho pe(r)nas
tão doloridas

*

de amante

líria porto

pelas montanhas eu surfo
pelas campinas eu nado
por horizontes eu surto
pelas minas eu me afundo
pelas gerais eu me acabo

*

sábado, 4 de abril de 2009

maiores que a lua

líria porto

tristezas me assolam – bolas de neve
e em breve estarão no livro
dos records

*

sexta-feira, 3 de abril de 2009

(publicado no livro olho nu - ed. patuá) bolso furado

líria porto

a vida é (ul)traje
sob medida

o tempo passa
faz-se o remendo

vai-se vivendo

*

diferenças

liria porto


dizes que minto
ao pintar folhas
de roxo


questão de gosto


*

incréu

líria porto

não acredito em nádegas
nessa existência sem nexo
como esfinges e macarronadas

*

(publicado em cadela prateada - ed. penalux) - versos d'inverno

líria porto

o sol travestido
vestido de lua de lua
e o frio o frio
senti-o na nuca
na nuca

eu velha velha
velha
tremia tremia tremia

sol filho da gruta

*

pétalas perdidas

líria porto

versos vazam-me as veias
como vampiros

*

(publicado no livro olho nu - ed. patuá) ralo

líria porto

outra arrancou fio a fio
os pelos do seu bigode
aquele colchão macio
onde deitava meus beijos
e sentia cócegas

*

(publicado em cadela prateada - ed. penalux) - destilados

líria porto

lua cheia de cachaça
bêbada de ti mesma
vais deixar o sol borracho
e desviar o seu facho
de paris para veneza

garçom
dá-me outro trago
com limão e gelo

*

quinta-feira, 2 de abril de 2009

chove e tudo me comove

líria porto

o choro da nuvem
a chuva em teus olhos
alguém me ajude
não suporto
tanto


l
ú
c
i
d
o

*

quarta-feira, 1 de abril de 2009

perigo

líria porto

um grito perfura meu tímpano
e aflito eu me escondo em caixa
de marimbondo

*

(publicado em cadela prateada - ed. penalux) - fortuna

líria porto

janela abelhuda só vê vizinhança
a minha contempla o crepúsculo

*

ao senhor das alturas

líria porto

em verdade vos digo
pobre daquele
que só tem
c
o
u
r
o

*

tortura

líria porto

quem bate esquece
quem apanha sente as pancadas
pelo resto das vítimas

*

terça-feira, 31 de março de 2009

(peguei o sol no pulo) fadas fados e fodas

líria porto

tenho doença incurável
sofro de irrealidade

*

inveja

líria porto

dela eu sinto - e não porque seja bela
é que às vezes faz versos com cheiro e sabor
de absinto

*

minas gerais

líria porto

minha terra tem bateia
onde cantava a chibata

preto velho catou ouro
diamante  pedra vária

o sangue que aqui goteja
é de dor e sofrimento

é de saudades
                    da áfrica

*

segunda-feira, 30 de março de 2009

(publicado no livro garimpo - editora lê) - garimpo

líria porto

essa procura tem um nome insanidade
passei da idade de tentar fazer sonetos
eu só consigo descrever cinzas e pretos
acho que o verso não alcança claridade

pelas gavetas prateleiras escondidos
ainda agarro pelo rabo alguns cometas
quero as estrelas não encontro suas tetas
sinto a fissura dos pequenos desvalidos

a minha escrita sempre foi penosa esgrima
desde menina que não tenho paradeiro
eu caço sapo com bodoque o dia inteiro
nessa esperança de catar melhores rimas

vasculho as glebas os grotões e quem diria
bateio o sol chego a pensar que a noite é dia

*

domingo, 29 de março de 2009

des_peito

líria porto

na ponta da rua
a puta da lua
fazia strep tease

de cá da janela
a cor da inveja
a flor amarela

*

sábado, 28 de março de 2009

não sei se aterriso

líria porto

se a nuvem me sequestrar
ou se o mar me (a)trair
cuidem de malu

*

(publicado no livro asa de passarinho - ed. lê) - estrelada

líria porto

a noite mastiga o escuro
e cospe as sementes

*

(peguei o sol no pulo) pedra-sabão

líria porto

escrevo no peito o vento que passa
o sol a vidraça a chuva a neblina
escrevo no peito o doce a cachaça
o queijo a coalhada o mapa de minas

escrevo no peito as ruas estradas
as flores a praça o laço de fita
escrevo no peito a tarde a alvorada
a lua as estrelas as caturritas

escrevo no peito a terra um jazigo
o chão a florada a serra o jardim
escrevo no peito opalas sem fim

os pais os irmãos as filhas o amigo
o cheiro os costumes a bruma a brisa
depois eu me abraço e fecho a camisa

*

sexta-feira, 27 de março de 2009

(publicado no livro garimpo - editora lê) - prematuro

líria porto

um verso cheio de nós
não chegou a termo

*

demudança

líria porto

há décadas
viemos para esta casa
ela permanece a mesma
eu no entanto

*

lindinhos

líria porto

legamos a nossos filhos
o que (não) somos
o que (não) temos
(sonhos anseios fissuras)
e moldamos criaturas
que são e serão para sempre
filhotinhos de coruja

*

quinta-feira, 26 de março de 2009

desânimo

líria porto

um cansaço decantado
parece os pés têm chumbo
dentro de mim bate um bumbo
bam bam bam

(se eu sumir não procurem
devo estar nalgum escuro
dentro dum buraco fundo
no cu do mundo)

*

(peguei o sol no pulo) pirralha

líria porto

aos três anos
depois de muito silêncio
pronunciou categórica
:
mãe é mãe pai é pai
filha é filha

nem toda palavra é óbvia
(alguma é filosofia)

*

quarta-feira, 25 de março de 2009

(publicado no livro olho nu - ed. patuá) curiosa

líria porto

pupila morava no fundo do globo
mas vinha à superfície
                              espiar um pouco

*

(peguei o sol no pulo e garimpo) - inércia

líria porto

eu fico parada
quem anda
a estrada

*

zangão

líria porto

tens esposa
mariposas
e não paras de voar
em torno da minha
lâmpada

meu bem
de mim não esperes
tamanha compreensão
mamãe abelha rainha
ensinou-me a reinar
absolutíssima

*

transparência

líria porto

insistiu em mostrar-me os detalhes
bobagem  estava tudo à vista
até as rugas da alma

*

terça-feira, 24 de março de 2009

tromba-d'água

líria porto

chove
chove um mundaréu
parece que o mar subiu
e despencou do céu

chove
chove um aguaceiro
chego a achar que a chuva
tem elefantíase

*

cana viável

líria porto

o suor salgado do boia-fria
seu co(r)po melado
precisado de aguardente
de algo que lhe adoce
o fa(r)do

*

envelheço

líria porto

caem-me as folhas as pétalas
às vezes fico triste outras rio
escorro para inverno

*

segunda-feira, 23 de março de 2009

no chão

líria porto

quem cansa os seus pés descansa
ande mal ou ande bem
meus pezinhos quando cansam
tiro os sapatos
e as meias

*

trova uma ova

líria porto

ontem era rima
e redondilha
hoje é verso livre
puro e simples

*

que fome

líria porto

hoje tem marmelada
: tem não senhor
hoje tem goiabada
: tem não senhor
hoje tem palha assada
: só se for muita

*

perdulária

líria porto

a cada dez pontos
sumia uma agulha

nas aquarelas
perdi tela e tinta

sete vezes grávida
tive quatro filhas

a poesia me_dita
: resume-me

*

domingo, 22 de março de 2009

perfumosa

líria porto

quando o sol me bate à porta
saio do ninho espreguiço-me e pouco importa
se o cachorro late se o menino chora
se o café derrama 
:
cheiro a manhã

*


sábado, 21 de março de 2009

montanhas

líria porto

os dedos do vento
esculpem as serras
oceano de ondas
quietas

*

glamour

líria porto

na hora da foto
o vento sacode-lhe
as pétalas

a flor desabrocha
é marilyn

*

sexta-feira, 20 de março de 2009

(para o livro sem pecado não tem salvação) manjares

líria porto

da toalha de linho –– quando vieres
serve-te de tudo quanto houver sobre ela
até te fartares

da blusa de linho –– quando vieres
serve-te de tudo quanto houver sob ela
até infartares

*

sete meses

líria porto

minh'alma balofa
espera ansiosa
a vi(n)da triunfal
de maria luiza

tias são foda
avós - pior ainda

(abram alas
pra bruxinha)

*

quinta-feira, 19 de março de 2009

imã

líria porto

teus olhos me puxam eu vou de roldão
sem chão e sem prumo – eu vou
outros vão

*

dono

líria porto

teus bigodes
arames farpados
cercaram-me a boca
e fincaram bandeira

*

poesia

líria porto

pelos cantos da casa
gavetas que falam e samambaias
choronas

*

quarta-feira, 18 de março de 2009

pendência

líria porto

borboleta amarela não dá trela
vai de flor em flor 
:
dá-me um pouco de cheiro e vermelho
que te ensino segredos de voo

*

chicote

líria porto

terrível língua a da sogra
a lanhar as nossas costas
suportar quase impossível
o jeito é afiar os dentes
e se algo acontecer
revidar - dar a mordida
e cuspir o veneno

*

terça-feira, 17 de março de 2009

português

líria porto

em minha boca
tua língua
a lamber-me as palavras
morder letras repetidas
beber a mesma saliva
de camões florbela
e bocage

*

(publicado no livro olho nu - ed. patuá) comensais

líria porto

à cama caminha
vai como um camelo
cálida camurça
começa com a moça
por cima do moço

el loco motiva-a – goza
goza mais um pouco

*

publicação

líria porto

uns versos nos prendem outro nos libertam
e por isso eu me livro


*

dedicatória

nus descampados (im)puros
fiamos o plenilúnio

(líria porto)



*















quem tem pena de passarinho
é passarinho

(líria porto)

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