líria porto
oiá oiá
hoje é sete terça-feira
toma conta desse vento desse raio
e protege meu cafofo
tenho horror a tempestade
as paredes nada valem
vivo cercada de morro
e não sei pra onde corro
oiá oiá
agradeço o obséquio
trago a minha oferenda
um colar branco e vermelho
um saquinho de pipocas
e prometo minha mãe
a galinha carijó
chegará assim que eu possa
que eu tenha novo emprego
oiá oiá
*
terça-feira, 30 de novembro de 2010
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
para mama dulce
líria porto
peço-te que intercedas
junto a teu filho caçula
diz-lhe que necessito
(antes que seja tarde)
um coração vagamundo
igualzinho ao que ele guarda
a sete chaves
*
peço-te que intercedas
junto a teu filho caçula
diz-lhe que necessito
(antes que seja tarde)
um coração vagamundo
igualzinho ao que ele guarda
a sete chaves
*
no alto da pouso alto
líria porto
a serra que eu relo
aquela
onde ralo o cotovelo
é tão bela
que o sol o vento
as estrelas
a lua
circulam à sua volta
:
por amor vim morar
por amor fui embora
*
a serra que eu relo
aquela
onde ralo o cotovelo
é tão bela
que o sol o vento
as estrelas
a lua
circulam à sua volta
:
por amor vim morar
por amor fui embora
*
(publicado em cadela prateada - ed. penalux) - à espera dos pirilampos
líria porto
eu vejo um mar de janelas
e detrás de um tanto delas
olhos se acendem
será que alguém me vê
ou se põe a imaginar
que aqui tem gente?
bastava um aceno
*
eu vejo um mar de janelas
e detrás de um tanto delas
olhos se acendem
será que alguém me vê
ou se põe a imaginar
que aqui tem gente?
bastava um aceno
*
domingo, 28 de novembro de 2010
pela raiz
líria porto
cortou-a
e às árvores que plantou
(ciprestes carvalhos flamboyans)
com machadadas
e ódio
fez da questão pessoal
um crime ecológico
*
cortou-a
e às árvores que plantou
(ciprestes carvalhos flamboyans)
com machadadas
e ódio
fez da questão pessoal
um crime ecológico
*
sábado, 27 de novembro de 2010
restrições
líria porto
camas largas
sapatos e roupas largas
sentimentos largos
:
acabou a fartura
apertem os cintos
*
camas largas
sapatos e roupas largas
sentimentos largos
:
acabou a fartura
apertem os cintos
*
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
manipulação
líria porto
ria dançava cantava chorava sofria
pela vontade de quem comandava
os cordéis
*
ria dançava cantava chorava sofria
pela vontade de quem comandava
os cordéis
*
estilhaços
líria porto
para controlar o descontrole
cercou-se de espelhos
de retrovisores
viu fantasmas com mil olhos
*
para controlar o descontrole
cercou-se de espelhos
de retrovisores
viu fantasmas com mil olhos
*
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
(publicado no livro olho nu - ed. patuá) fadiga
líria porto
amanhã
vou passar a manhã em manhattan
vou levar sais de banho
um casaco castanho
vou sonhar que eu sou magnata
amanhã
vou ganhar tanto estanho
barganhar um rebannho
amanhã
hoje não
*
amanhã
vou passar a manhã em manhattan
vou levar sais de banho
um casaco castanho
vou sonhar que eu sou magnata
amanhã
vou ganhar tanto estanho
barganhar um rebannho
amanhã
hoje não
*
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
(peguei o sol no pulo) lilitchika
líria porto
como maiakovski
odeio pontos vírgulas
(ainda mais reticências)
e por minha conta e risco
adjetivos advérbios
(embora vez por outra
necessite-os)
como maiakovski
eu te amo e visto
nuvens
*
como maiakovski
odeio pontos vírgulas
(ainda mais reticências)
e por minha conta e risco
adjetivos advérbios
(embora vez por outra
necessite-os)
como maiakovski
eu te amo e visto
nuvens
*
(publicado no livro asa de passarinho - ed. lê) - cachoeira
líria porto
serpenteia
faz a curva
muda o rumo
quando sente
que o impedem
de chegar
todo rio
que se preze
fecha os olhos
e pula
*
serpenteia
faz a curva
muda o rumo
quando sente
que o impedem
de chegar
todo rio
que se preze
fecha os olhos
e pula
*
a verdade
líria porto
tem um jeito justo
de dizer as coisas
tudo assim - na lata
de tão diminuto
um segundo basta
e não se discute
(amo-te)
*
tem um jeito justo
de dizer as coisas
tudo assim - na lata
de tão diminuto
um segundo basta
e não se discute
(amo-te)
*
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
para talheres
líria porto
comer manga às bocadas
e com a cara e as mãos caldeadas
puxar entredentes
a infância
*
comer manga às bocadas
e com a cara e as mãos caldeadas
puxar entredentes
a infância
*
cigarra (um poema para ayla)
líria porto
cantar dançar e mais nada
nem ao menos pensar
que há vida ou morte
:
deixar a alegria bailar
bailar
aylar
(tristezas são formigas)
*
cantar dançar e mais nada
nem ao menos pensar
que há vida ou morte
:
deixar a alegria bailar
bailar
aylar
(tristezas são formigas)
*
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nus descampados (im)puros
fiamos o plenilúnio
(líria porto)
*
fiamos o plenilúnio
(líria porto)
*
quem tem pena de passarinho
é passarinho
(líria porto)
