terça-feira, 14 de abril de 2009

a_balada

líria porto

cansada da fama da casa da cama da gata
madama alcança a sacada balança a carcaça
gargalha

s
a
l
t
a

atrapalha a manhã da babá

*

segunda-feira, 13 de abril de 2009

corações tímidos

líria porto

olhavas as flores
as flores me olhavam
:
silêncios perfumam
jardins

*

compulsório

líria porto

sem data de vencimento
o prazo pode ser grande
ou pequeno

(assunto proibido - para acontecer
basta-nos estar v i v o s)

fingir não resolve
tirana é quem cobra
a apólice

(quem de nós será
o próximo?)

*

domingo, 12 de abril de 2009

bem-querer

líria porto

abril-me o azul
o céu de anil
é meu é mel
seu meu
anelo

*

o poema

líria porto

não se desprende da ponta dos dedos
fica debaixo da unha tal como farpa
ou sujeira

*

o verso

líria porto

este chicote
este lanho nas costas
esta cicatriz em cruz

*

penúria

líria porto

das minhas tantas manias
das quantas várias proezas
dalgumas eu nem me lembro

muita vez imploro à chuva
disfarça tua amargura
e chora sem estridência

(poesia
é ideia
fixa)

*

sábado, 11 de abril de 2009

(publicado no livro olho nu - ed. patuá) reme reme

líria porto

o momento congelado
preso na fotografia
um flagrante do passado
como a carta que te envio
quando a lês estou mudado
e a tristeza que havia
poderá não existir
:
o tempo é rio

*

enigma

líria porto

se eu me chamasse dolores
esquecesse minhas dores
vestisse todas as cores
tivesse muitos amores
nem que fosse pra rimar
a vida seria mais doce
(fosse o que fosse)
ou amarga?

*

valores

líria porto

lagarta vira borboleta
gente não
troca cores asas voos
por paredes
arrasta casa e solidão
como os caracóis

*

e tenho dito

líria porto

proibo-te de me proibires
eu fiz tu fizeste
nós dois faremos sempre
:
são tão minhas quanto tuas
as (in)consequências

*

incréu

líria porto

não vejo a hora de chegar ao paraíso
para ouvir são pedro carimbar os passaportes
esse pode esse pode esse pode esse não pode

(e eu ficar de fora)

*

sexta-feira, 10 de abril de 2009

(publicado em cadela prateada - ed. penalux) - sábado

líria porto

é dia de comer a aurora
lamber o sol a lua
sujar o colarinho de nuvem
arrotar brilho de estrela

*


quinta-feira, 9 de abril de 2009

choro

líria porto

eu não tenho mar não tenho ri(s)o
e não tenho lago riacho cisterna chuva enxurrada
poça ou copo d'água

eu só tenho pó e esse jeito de ser
tão

*

sangre

líria porto

num dia de domingo ao som de um belo tango
nasceu uma menina boca de morango

cabelos purpurina olhos de quebranto
chamava-se marina e usava um manto

morava numa esquina telhado de amianto
cresceu muito sozinha casou-se com um santo

foi tão infeliz ninguém sabe o quanto
e de tanto tanto e de espanto e sangue

mandou-o sem pesar
                         pros quintos do inferno

*

(publicado no livro olho nu - ed. patuá) lealdade

líria porto

por ti eu faço
seguro a onda no braço
e se o mar te der rasteira
amarro-o numa coleira
arrasto-o para as areias
do deserto de saara

*

solidão

líria porto

vasta palavra cercada de silêncios

*

quarta-feira, 8 de abril de 2009

íntimo

líria porto

em seu regaço eu me aninho
e escorro e escorrego sento juntinho dos pés
igual água da bica quando cai na bacia

*

(b)isca

líria porto

uma bolha uma folha uma rolha uma escolha
uma tola uma tonta uma sonsa
que inventa intenta imagina improvisa
para chamar-te à tensão

(à tentação)

*

morta

líria porto

a alma enclausurada
fechada dentro da dor
às vezes tudo se acaba
sem precisar sepultura

*

dedicatória

nus descampados (im)puros
fiamos o plenilúnio

(líria porto)



*















quem tem pena de passarinho
é passarinho

(líria porto)

Arquivo do blog