ao picadinho de carne gostoso bem temperado juntar suco de tomates uma colher de açúcar champignons creme de leite depois servir com arroz batatas fritas e vinho
zezinho dorme tranquilo ao lado de sua avó ele o início ela o fim de um encontro bonito entre uma velha e um menino que se querem muito bem e contam boas histórias
amar lua sol estrela
é fácil pra qualquer um
quero ver amar a nuvem
que nunca parece a mesma
vai-se com qualquer vento
e quando vem pra valer
é choradeira é barro
relâmpago raio
e trovão
poesia me esculhamba
manipula me domina
vai embora pro puteiro
enche a cara vai em cana
sai e diz que ainda me ama
eu a levo para a cama
e assim a gente vive
:
e morre
e ressuscita
a boca é grande
mastiga mastiga mastiga
mas não engole
e o bolo na garganta
(espécie de rolha)
misturado com saliva
cospe ou vomita
:
bebe outro copo
de vodka
o velho a velha
rumo à pracinha
para a ginástica
conversam riem
falam do tempo
e do passado
:
uns movimentos
logo se cansam
retornam à casa
vão de mãos
dadas
doar nossos beijos
deixar que se insurjam
dentre os travesseiros
dos homens maduros
que saibam o sabor
do amor e da dúvida
e não tenham medo
de um dia perdê-los
pois os sentimentos
por fortes que sejam
não duram pra sempre
um dia diluem-se
e deixam um travo
na boca
imperador dom elias porto das arábias
comunista de carteirinha
soberano e vassalo do meu coração cercado de netos
fazia-nos todas os gostos
governava-nos com amor
maria acorda cedo
bem mais cedo que os santos
lustra o sol limpa o céu
varre as nuvens
deixa tudo azul
um brinco
:
no final do dia
anjinhos e o menino deus
bagunçam o paraíso
sem data para acabar
no cardápio alguma dor
o sol a lua as estrelas
idas e vindas ao bar
:
nossas vidas duradouras
os invernos os verões
os jardins
toda a colheita
companheiros de viagem
tu e eu
levo a maleta
ainda subo os degraus
porém não desço a ladeira
sem o apoio da bengala
eu vejo gatos nas nuvens
criaturas entre as cobertas
poesia no fundo das xícaras
sabedoria nas pedras
porém homens tão vazios
que deles eu só enxergo
os ocos e os abismos
que os atraem
aos infernos