perdeste a alma rasguei o teu texto não usei pretexto atirei-o à vala poema que prezo além da palavra precisa emoção – algo tão bonito quanto o riso a lágrima e o sentimento
chorava por dentro
um quase choro invisível
de olho a chuviscar
a dilacerar a carne
a instalar-se nas tripas
e chorava a dor dos sonhos
do desmoronamento
inventas tantas tramoias
e sempre que acontece
eu caio nas armadilhas
e mais pareço uma ilha
cercada de incertezas
a imaginar saídas
que se derretem
igual gelo
qual um pássaro solitário
a voar em pleno espaço
assim se sente no mundo
a desfazer-se dos laços
a soltar pena por pena
em pouco livra a carcaça
e prossegue só espírito
falo co'as paredes
bom dia paredes
como estão
elas respondem irritadas
tão paradas quanto os postes
sem enfeites pichações
quadros espelhos
sem nada
e tão pálidas quanto
os mortos
dois passarinhos
tamanho de um grilo
namoravam-se ao crepúsculo
quando veio um gavião
:
eu sou muito perigoso
os dois responderam juntos
nada é mais que nosso amor
podemos vencer o mundo
a menininha embirrava
conseguia o que queria
então vovó cochichou-lhe
também quero ser atriz
vou aprender essa birra
e a pestinha berrou
aaahhhhhh
a vovó fez igualzinho
grita mais forte vovó
aaaahhhhhhhhhhh
e bate também o pé
a vovó não teve dúvida
menininha completou
agora estufa a barriga
e põe o dedo na boca
assim mamãe tem mais dó