quinta-feira, 20 de maio de 2010

(publicado no livro olho nu - ed. patuá) fluidos

líria porto

tornei-me assim liquefeita
quando daquela feita
despi-me de nãos e sins

de mim então me perdi
nessa vontade inconclusa
acumulada no rim

ficou a mágoa comigo
fincada dentro do umbigo
quase criava raiz

minha tristeza de chuva
esta amargura profusa
tem olhos túmidos

sou tal e qual o dilúvio
derramo transbordo enxurro
corto os pulsos

*

4 comentários:

Anônimo disse...

Demais, é bem isso!

Beijo.

Sueli Maia (Mai) disse...

Poema pluviométrico que é tão desmesurado quanto belo...


P.S.
Em versos homeopáticos te ler já é bom demais da conta... Que dirá assim: lanterna dos afogados.

adoro!

nydia bonetti disse...

dilúvio de líria... que lindo. beijo.

CANTO GERAL DO BRASIL (e outros cantos) disse...

Líria de águas cristalinas,
Choro aqui meu melhor sorriso, entre seus versos que fluem afluentes de flautas filhas de filarmônicas...

Abraço forte,
Pedro Ramúcio.

dedicatória

nus descampados (im)puros
fiamos o plenilúnio

(líria porto)



*















quem tem pena de passarinho
é passarinho

(líria porto)

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